Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Não é uma Igreja «“cool”» ou «divertida» que deixa os jovens contentes, sublinha papa

A criatividade, festa e alegria que caracterizam a Jornada Mundial da Juventude não são sinónimo de ligeireza na relação dos jovens com Cristo, sublinhou o papa esta quinta-feira, no Panamá, onde apelou à construção de pontes em vez de muros, e saudou Bento XVI.

É preciso seguir em frente, «não para criar uma Igreja paralela um pouco mais “divertida” ou “cool” num evento para jovens, com alguns elementos decorativos, como se isso pudesse deixar-vos contentes», afirmou Francisco durante a cerimónia de acolhimento e abertura da Jornada Mundial da Juventude.

«Pensar assim seria faltar-vos ao respeito e a tudo aquilo que o Espírito está a dizer através de vós», frisou o papa, que foi saudado por cinco jovens em vestes tradicionais, provenientes dos cinco continentes.

Dirigindo-se às cerca de 250 mil pessoas presentes na cerimónia, Francisco destacou que o esforço de muitos para participar é sinal e promessa de abertura e diálogo: «Vós, queridos amigos, fizestes muitos sacrifícios para poder-vos encontrar, e assim tornastes-vos verdadeiros mestres e artesãos da cultura do encontro».



O amor de Deus «sabe mais de subidas do que de quedas, de reconciliação do que proibições, de dar nova oportunidade do que de condenar, de futuro do que de passado»



«Com os vossos gestos e as vossas atitudes, com os vossos olhares, desejos e, sobretudo, a vossa sensibilidade, desmentis e desacreditais todos aqueles discursos que se concentram e se empenham em criar divisão, no excluir e expulsar aqueles que “não são como nós”», acentuou.

E acrescentou: «Este é um critério para distinguir as pessoas: os construtores de pontes e os construtores de muros. Estes construtores de muros que semeiam o medo, procuram dividir e amedrontar as pessoas. E vós, pelo contrário, quereis ser construtores de pontes».

Para Francisco, «encontrar-se não significa mimetizar-se, nem pensarem todos a mesma coisa ou viverem todos da mesma maneira».

«Temos muitas diferenças, falamos línguas diferentes. Todos nos vestimos de maneira diferente, mas por favor procuremos ter um sonho em comum», pelo qual «Jesus deu a vida na cruz», apontou o papa, retomando o tema da «terra dos sonhos», que referenciou na sua primeira intervenção no Panamá.



Alguns dos reclusos oferecerão pinturas feitas por eles a Francisco: «Dir-lhe-ei que pintei com muita ternura, e especialmente para ele. Para mim, é um orgulho que ele venha a este lugar para difundir a sua mensagem»



Depois de frisar que o testemunho de Cristo passa pelo «serviço concreto» aos desfavorecidos - «não tenhais medo de amar, não tenhais medo deste amor concreto, deste amor que tem ternura, deste amor que serve, deste amor que dá a vida» -, Francisco recordou o seu predecessor, o que foi seguido de longo aplauso: «Enviamos uma saudação ao papa Bento XVI, que está a ver pela televisão».

Nesta sexta-feira, o papa preside a uma liturgia penitencial com jovens reclusos, a 40 km. da capital panamenha e, mais tarde, acompanhará os participantes na Jornada durante uma via-sacra, que evoca o trajeto de Jesus desde a sua entrega às autoridades até à morte.

O papa insiste na proximidade a pessoas detidas, como tem feito em muitas das suas viagens internacionais, vincando que o falhanço e a condenação nunca são mais do que a dignidade de cada ser humano, e que com fé há esperança num presente e futuro mais felizes.

Com efeito, o amor de Deus «sabe mais de subidas do que de quedas, de reconciliação do que proibições, de dar nova oportunidade do que de condenar, de futuro do que de passado», declarou na quinta-feira aos jovens.



Muitas são as pistas a apontar para a possibilidade de Portugal, em particular Lisboa, receber a próxima Jornada Mundial da Juventude: além da visita da imagem peregrina de Fátima ao Panamá, junta-se a presença do presidente da República, bem como do secretário de Estado da Juventude, João Rebelo, e do presidente da autarquia, Fernando Medina



Alguns dos reclusos oferecerão pinturas feitas por eles a Francisco: «Dir-lhe-ei que pintei com muita ternura, e especialmente para ele. Para mim, é um orgulho que ele venha a este lugar para difundir a sua mensagem», declarou à agência FrancePress um dos detidos.

Os peregrinos portugueses, depois de se terem encontrado, em catequeses, com bispos lusos, podem contar, sábado, com um encontro com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que chega hoje ao Panamá.

«O que está previsto é que eu siga, em princípio já hoje à noite [quinta-feira], e que tenha um encontro com os peregrinos portugueses depois de amanhã [sábado]», declarou.

O programa prevê que Marcelo Rebelo de Sousa «assista a uma celebração na catedral restaurada por uma empresa portuguesa, tem um retábulo restaurado por uma empresa portuguesa, e depois esteja no momento crucial que é a celebração de domingo de manhãzinha, em que o papa dirá qual é a localização das jornadas de junho de 2022».

Muitas são as pistas a apontar para a possibilidade de Portugal, em particular Lisboa, receber a próxima Jornada Mundial da Juventude: além da visita da imagem peregrina de Fátima ao Panamá, junta-se a presença do presidente da República, bem como do secretário de Estado da Juventude, João Rebelo, e do presidente da autarquia, Fernando Medina.


 

Rui Jorge Martins
Fontes: Vatican News, Vatican Insider, SAPO 24, La Croix
Imagem: Cerimónia de inauguração da Jornada Mundial da Juventude | Panamá, 24.1.2019 | D.R.
Publicado em 25.01.2019

 

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos