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O melhor do futebol é o golo? Para o papa Francisco, é passar a bola e jogar em equipa

«O belo de jogar com uma bola é poder fazê-lo juntamente com os outros, passando-a no meio de um campo, aprendendo a construir ações de jogo, trabalhando como equipa.» Palavras de um comentador desportivo? Sim, se considerarmos a simpatia do papa Francisco pelo futebol e o júbilo com que vive os sucessos de uma das equipas da “sua” Buenos Aires, o San Lorenzo.

Zanetti, Baresi, Eto’o, Seedorf, Mancini, Sacchi, Ranieri, foram alguns dos antigos jogadores e treinadores “convocados” hoje para uma audiência com o papa, no “estádio” do Vaticano, na conclusão de uma iniciativa promovida pelo diário desportivo italiano “Gazzetta dello Sport”, a Federação Italiana de Futebol e o Ministério da Educação, Universidade e Investigação do governo transalpino, que se fez representar pelo seu titular, Marco Bussetti.

«A bola torna-se um meio para convidar as pessoas reais a partilhar a amizade, a encontrarem-se num espaço, a olharem-se cara a cara, a desafiarem-se para pôr á prova as suas capacidades. Queridos amigos, o futebol é um jogo de equipa, não há divertimento a sós. E se é vivido assim, pode verdadeiramente fazer bem também à cabeça e ao coração, numa sociedade que exaspera o subjetivismo, isto é, a centralidade do próprio eu, quase como um princípio absoluto», apontou o papa.

Enquanto que muitos definem o futebol como «o jogo mais belo do mundo», não falta quem afirme que ele «já deixou de ser um jogo», observou o papa, porque se assiste, «inclusive no futebol juvenil, dentro e fora de campo, a fenómenos que mancham a sua beleza», como acontece quando alguns pais se transformam «em adeptos ultras, ou em gestores, em treinadores».



«Queridos pais, exorto-vos a transmitir aos vossos filhos esta mentalidade: o jogo, a gratuidade, a socialização. A encorajá-los nos momentos difíceis, especialmente após uma derrota. E a ajudá-los a compreender que o banco [de suplentes] não é uma humilhação, mas uma ocasião para crescer e uma oportunidade para outro. Que tenham sempre o gosto de dar o máximo, porque para além da partida, está a vida que os espera»



Atitudes como esta – e Francisco poupou-se ao elenco de suspeições e insultos presentes ao longo da temporada futebolística – veja-se o exemplo em Portugal - sujam o jogo, «palavra que por vezes é esquecida, e mesmo substituída – ocultamente – por outras menos coerentes, se não totalmente contrárias às suas finalidades. Ao contrário, é um jogo, e como tal deve permanecer», vincou.

Para Francisco, «atrás de uma bola que gira, há quase sempre um jovem com os seus sonhos e as suas aspirações, o seu corpo e a sua alma», porque «numa atividade desportiva não estão envolvidos só os músculos, mas toda a personalidade de um jovem, em todas as suas dimensões, inclusive as mais profundas».

«Queridos pais, exorto-vos a transmitir aos vossos filhos esta mentalidade: o jogo, a gratuidade, a socialização. A encorajá-los nos momentos difíceis, especialmente após uma derrota. E a ajudá-los a compreender que o banco [de suplentes] não é uma humilhação, mas uma ocasião para crescer e uma oportunidade para outro. Que tenham sempre o gosto de dar o máximo, porque para além da partida, está a vida que os espera», afirmou.



«Peço-vos que não transformeis os sonhos dos vossos jovens em fáceis ilusões destinadas ao confronto com os limites da realidade; a não oprimirem a sua vida com formas de chantagem que bloqueiam a sua liberdade e fantasia; a não ensinar atalhos que só conduzem e perderem-se no labirinto da vida»



Dirigindo-se aos treinadores presentes, Francisco lembrou que são «pontos de referência» para os jovens: «Tudo o que dizeis e fazeis, o modo como o dizeis e fazeis, torna-se ensinamento para os vossos atletas, ou seja, deixará uma marca indelével na sua vida, para o bem e para o mal».

«Alguém disse que caminhava em pontas dos pés no campo para não pisar os sonhos sagrados dos jovens. Peço-vos que não transformeis os sonhos dos vossos jovens em fáceis ilusões destinadas ao confronto com os limites da realidade; a não oprimirem a sua vida com formas de chantagem que bloqueiam a sua liberdade e fantasia; a não ensinar atalhos que só conduzem e perderem-se no labirinto da vida. Que possais, ao contrário, ser sempre cúmplices do sorriso dos vossos atletas», assinalou.

Falando para «os grandes campeões do futebol», em quem os jovens atletas se inspiram, o papa pediu-lhes para não se esquecerem de onde partiram: «Daquele campo de periferia, daquele oratório, daquele pequeno clube».

«Desejo que sintam sempre gratidão pela vossa história feita de sacrifícios, de vitórias e derrotas. E de sentir também a responsabilidade educativa, de agirem através de uma coerência de vida e solidariedade com os mais fracos, para encorajar os mais jovens a tornarem-se grandes por dentro, e, assim o desejo, também campeões na vida», desafiou Francisco.

“O futebol que amamos”, título dado ao encontro, analisou a modadlidade nas vertentes do divertimento, educação e inclusão, tendo como “ponta-de-lança” Francisco, «papa futebolista por excelência, adepto apaixonado que quer educar através do desporto», escreveu o jornal “Gazzetta dello Sport”.


Imagem D.R.







 

Rui Jorge Martins
Fonte (texto, imagens, vídeo): Sala de Imprensa da Santa Sé
Publicado em 24.05.2019

 

 
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