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Os jovens pressentem que a vida tem mais do que aquilo que lhes disseram para buscar

«Que desafios as culturas juvenis colocam à Igreja?»

Os jovens pressentem que a vida tem mais do que aquilo que lhes disseram para buscar.

Conhecer e dar a conhecer a pessoa de Jesus é a vocação da Igreja. Qualquer meio é válido, se tomado com a lógica do Evangelho.

O escritor norte-americano Shane Claiborne disse uma vez: As pessoas não são crucificadas por fazerem beneficiência. As pessoas são crucificadas por viverem um amor que rompe a ordem social, que clama por um mundo novo.

As culturas juvenis colocam à Igreja um desafio de fidelidade ao amor de que é portadora. Uma relação viva com Jesus faz da Igreja uma comunidade ao mesmo tempo radicalmente inclusiva e radicalmente exigente. Neste caminho, aligeirar Jesus para o ajustar mais facilmente aos modos do mundo, é a grande tentação. É o baratear da graça a que a Dietrich Bonhoeffer chama o inimigo mais mortal da Igreja.

Conhecer Jesus transforma a nossa vida a partir de dentro. Viver não é relatável. Viver não é visível (Clarice Lispector). É fruto de um silêncio e de uma escuta que precisam de ser cultivados insistentemente. A pobreza interior é a nossa condição. Perante uma cultura que escolheu o superficial como base, a Igreja é a comunidade que procura escavar a superfície para tocar o real. Tocar o real também é a tarefa da arte. A sociedade aspira à estabilidade, o artista aspira ao infinito. (Rui Chafes).

Termino citando Claiborne novamente,
Quando pertencia a um grupo cristão do liceu, um dos miúdos que tinha “entregado a sua vida a Jesus” num retiro foi apanhado poucas semanas depois com ácido na escola. Perguntei-lhe: “Então, amigo? O que é que correu mal?”; Respondeu-me, encolhendo os ombros: “Entediei-me.”
Que Deus nos perdoe por tudo o que perdemos porque tornámos o Evangelho aborrecido. Estou convencido de que se perdemos jovens para a cultura de drogas e materialismo, de violência e guerra, é porque não os desafiamos, e não porque não os entretemos. É porque tornamos o Evangelho demasiado fácil, não porque o tornamos demasiado difícil. Os jovens querem fazer algo de heroico com as suas vidas – por isso jogam videojogos e têm vidas virtuais paralelas. Mas o que podem fazer eles com uma Igreja que os ensina a andar em bicos dos pés pela vida fora de forma a chegarem em segurança à morte?

 

Este texto integra o número 19 do "Observatório da Cultura" (abril 2013).

 

Luísa Jacinto
Pintora
© SNPC | 11.04.13

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Pintura de Luísa Jacinto (det.)

 

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