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Papa lembra à cimeira de Davos que ser humano é mais importante do que ter poder e dinheiro

«A consideração primordial, que nunca deve ser esquecida, é que todos somos membros da família humana. A obrigação moral de cuidar um do outro decorre desse facto, assim como o princípio correlativo de colocar a pessoa humana, e não a mera busca de poder ou lucro, no centro das políticas públicas.»

É nestes termos que o papa Francisco se dirige ao presidente executivo do Fórum Económico Mundial, que começa hoje em Davos, Suíça, e que até sexta-feira reúne cerca de três mil líderes políticos e económicos, entre os quais o secretário-geral da ONU, António Guterres, e, em representação do Vaticano, o responsável pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, cardeal Peter Turkson.

Na missiva endereçada a Klaus Schwab, Francisco acentua que «é necessário ir além das abordagens tecnológicas ou económicas de curto prazo, e considerar plenamente a dimensão ética na busca de resoluções para os problemas do presente ou para as propostas de iniciativas para o futuro».

«Com demasiada frequência visões materialistas ou utilitárias, por vezes ocultas, outras vezes celebradas, conduzem a práticas e estruturas motivadas em grande parte, ou mesmo unicamente, pelo interesse próprio. Esta perspetiva considera, tipicamente, os outros como meios para atingir um fim, e implica uma falta de solidariedade e caridade, o que, por sua vez, gera injustiça real», refere o papa.



O papa espera que as deliberações da assembleia «possam conduzir a um crescimento na solidariedade, especialmente com aqueles que mais precisam, e que experimentam a injustiça social e económica, e com aqueles cuja própria existência chega até a ser ameaçada».



Para Francisco, «um desenvolvimento humano verdadeiramente integral só pode florescer quando todos os membros da família humana estiverem incluídos e contribuírem para alcançar o bem comum», pelo que «pisar a dignidade de outra pessoa é, facto, enfraquecer o seu valor».

O texto recorda a encíclica “Laudato si’” ao realçar «a importância de uma “ecologia integral” que tenha em conta a totalidade das implicações da complexidade e inter-relação» da «casa comum».

Francisco reconhece as proezas que a cimeira de Davos alcançou desde que foi instituída, há 50 anos, e expressa o desejo de que os participantes tenham presente a sua «alta responsabilidade moral» para «procurar o desenvolvimento integral» de todos os seres humanos, «irmãos e irmãs», incluindo os «de futuras gerações».

O papa espera que as deliberações da assembleia «possam conduzir a um crescimento na solidariedade, especialmente com aqueles que mais precisam, e que experimentam a injustiça social e económica, e com aqueles cuja própria existência chega até a ser ameaçada».

«Para aqueles que participam do Fórum, renovo, na oração, os meus votos para um encontro proveitoso, e invoco sobre todos vós as bênçãos da sabedoria de Deus», conclui Francisco.

Klaus Schwab considera que o mundo está numa encruzilhada «crítica», e apela à aprovação, este ano, de um “Manifesto Davos 2020” que abra caminhos para a resolução dos temas em discussão, por exemplo, “como salvar o planeta”, “economias mais justas” ou “futuros mais saudáveis”.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: Cimeira de Davos, 2019 | D.R.
Publicado em 21.01.2020

 

 
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