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Papa reza pelos médicos e enfermeiros que perderam a vida e pede «proximidade» às vítimas da pandemia

«Rezemos hoje pelos defuntos, que perderam a vida por causa do vírus. De modo especial gostaria que rezássemos pelos agentes de saúde que morreram nestes dias, dando a vida no serviço aos doentes.»

Foi esta a intenção apresentada esta manhã pelo papa, na introdução à missa a que presidiu, no Vaticano, durante a qual frisou que a vizinhança de Deus em relação ao ser humano deve ser por este correspondida não só quanto a Ele, como em relação às pessoas atingidas pelo Covid-19.

«O nosso Deus é próximo, e pede-nos para que sejamos próximos uns dos outros. Não nos distanciemos entre nós, neste momento de crise por causa da pandemia que estamos a viver. Esta proximidade [divina] pede que seja mais manifestada, que seja mais mostrada», apontou.

E se é preciso lavar muitas as vezes as mãos para evitar a propagação do vírus, esse é o comportamento que deve ser recusado quando se trata de assumir a responsabilidade e o cuidado pelos doentes e por aqueles que, com receio de serem focos de contaminação, são marginalizados.

«Não podemos aproximar-nos fisicamente por causa do medo de contágio, mas podemos despertar em nós uma atitude de proximidade entre nós, com a oração, com a ajuda, tantos modos de vizinhança», frisou.

«E porque é que devemos ser próximos uns dos outros? Porque o nosso Deus é próximo, quis acompanhar-nos na vida, é o Deus da proximidade. Por isso, nós não somos pessoas isoladas, somos próximos, porque a herança que recebemos do Senhor é a proximidade», apontou Francisco.



«A proximidade traz sempre consigo algumas debilidades, Deus próximo faz-se fraco, e quando mais próximo se faz, mais fraco parece»



O papa refletiu sobre a primeira leitura bíblica (Deuteronómio 4, 1. 5-9) e o Evangelho (Mateus 5, 17-19) proclamados nas eucaristias desta quarta-feira, centrados na lei que Deus propõe ao seu povo, «e que Jesus quis levar até à máxima perfeição».

«Uma coisa que chama a atenção é o modo como Deus dá a lei»: «Não se trata de prescrições de um governante que pode estar distante, ou de um ditador», mas manifesta uma atitude de «proximidade», «paterna, de pai que acompanha», «que caminha com o seu povo».

Depois de relembrar as imagens bíblicas, durante o êxodo do povo de Israel, em pleno deserto, da «nuvem» e da «coluna de fogo», reveladoras da vizinhança divina no decorrer da história do ser humano, o papa frisou que a humanidade não está perante um Deus «que deixa as prescrições escritas e se vai embora».

Pelo contrário, «a primeira resposta» do ser humano consiste «em duas atitudes de não-proximidade»: «A nossa resposta é sempre de afastamento, afastamo-nos de Deus. Ele faz-se próximo, e nós distanciamo-nos».

Com efeito, logo no primeiro livro da Bíblia, o Génesis, Adão e Eva, imagens da identidade profunda do ser humano de todos os tempos, «escondem-se da proximidade de Deus, têm vergonha, porque pecaram», porque o pecado motiva uma atitude de ocultação, «de não querer proximidade».



«A proximidade humilha Deus. Ele humilha-se para ser connosco, para caminhar connosco. O Deus próximo fala-nos de humildade»



Depois de observar que muitas vezes se faz uma teologia «pensada apenas no juízo», o papa afirmou que a segunda atitude humana «à proposta de proximidade de Deus é matar o irmão», como também é narrado nas primeiras páginas do Génesis, com o homicídio de Abel por parte de Caim; este, interrogado por Deus, responde, revelando afastamento: «Eu não sou guardião do meu irmão».

«São duas atitudes que eliminam toda a proximidade. O homem recusa a proximidade de Deus. Quer ser o dono das relações. E a proximidade traz sempre consigo algumas debilidades, Deus próximo faz-se fraco, e quando mais próximo se faz, mais fraco parece», assinalou.

Ao fazer-se ser humano, Jesus faz-se fraco, «e leva essa fraqueza até à morte, e a morte mais cruel, a morte dos assassinos, a morte dos maiores pecadores».

«A proximidade humilha Deus. Ele humilha-se para ser connosco, para caminhar connosco. O Deus próximo fala-nos de humildade. Não é um Deus grande, não, é próximo, é de casa», que aos discípulos «ensina, corrige, com amor».

Francisco concluiu a homilia com uma prece: «Peçamos ao Senhor a graça de sermos próximos uns dos outros. Não nos escondermos uns dos outros. Não lavemos as mãos, como fez Caim».











 

Rui Jorge Martins
Fonte (texto e imagem): Vatican News

Publicado em 18.03.2020

 

 
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