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Quaresma: Somos feitos para o fogo que arde sempre, não para a cinza que desaparece

«Um despertador da alma», «tempo para reencontrar a rota da vida» e «libertar o coração das nulidades», «fogo que arde sempre»: foi com estas imagens que o papa falou hoje da Quaresma, durante a missa que de Quarta-feira de Cinzas, primeiro dos 40 dias de um tempo especialmente penitencial para os católicos, com vista à preparação para a Páscoa.

A Quaresma «pretende abrandar o ritmo» da vida, «sempre dominada pela pressa, mas muitas vezes não sabe bem para onde vai. É um apelo a deter-se para ir ao essencial, a jejuar do supérfluo que distrai. É um despertador da alma», afirmou Francisco na igreja de Santa Sabina, em Roma.

A comparação da existência humana com um longo caminho, em que tantas vezes – quem sabe, o mais das vezes – é percorrido longe do rumo que conduz a Deus, constituiu um dos motivos principais da intervenção do papa, para quem «a Quaresma é o tempo para reencontrar a rota da vida».

«Cada um de nós pode interrogar-se: no caminho da vida, procuro a rota? Ou contento-me de viver o dia a dia, pensando apenas em sentir-me bem, resolver alguns problemas e divertir-me um pouco? Qual é a rota?», questionou.



É urgente a compaixão pelo outro e o esquecimento de si: «Precisamos de nos libertar dos tentáculos do consumismo e dos laços do egoísmo, de querer sempre mais, de não nos contentarmos jamais, do coração fechado às necessidades do pobre»



A imposição de cinzas na cabeça dos participantes na missa deste dia é um ponto de referência para reencontrar o trajeto: «Frequentemente, os nossos pensamentos seguem coisas passageiras, coisas que vão e vêm. Os grãos de cinza que receberemos pretendem dizer-nos, com delicadeza e verdade: de tantas coisas que trazes na cabeça, atrás das quais corres e te afadigas diariamente, nada restará».

«Por mais que te afadigues, não levarás contigo qualquer riqueza da vida. As realidades terrenas dissipam-se como poeira ao vento. Os bens são provisórios, o poder passa, o sucesso declina. A cultura da aparência, hoje dominante e que induz a viver para as coisas que passam, é um grande engano», vincou o papa.

Por isso, prosseguiu, a Quaresma é descobrir que o ser humano é feito «para o fogo que arde sempre, não para a cinza que imediatamente desaparece; para Deus, não para o mundo; para a eternidade do Céu, não para o engano da terra; para a liberdade dos filhos, não para a escravidão das coisas».

Francisco assinalou os três comportamentos do crente associados particularmente ao tempo quaresmal, «três investimentos num tesouro que dura»: «A esmola, a oração e o jejum reconduzem-nos às únicas três realidades que não se dissipam. A oração liga-nos a Deus; a caridade, ao próximo; o jejum, a nós mesmos. Deus, os irmãos, a minha vida».



A Quaresma «é tempo de graça para libertar o coração das nulidades; é tempo de cura de dependências que seduzem; é tempo de fixar o olhar naquilo que resta», rumo a «uma vida que arde de caridade, e não se apaga na mediocridade»



Já a esmola, a caridade, «liberta da nulidade do ter, de pensar que as coisas estão bem se correm bem; «por último, convida-nos a olhar para dentro de nós mesmos, com o jejum, que liberta do apego às coisas, do mundanismo que anestesia o coração».

Com efeito, é urgente a compaixão pelo outro e o esquecimento de si: «Precisamos de nos libertar dos tentáculos do consumismo e dos laços do egoísmo, de querer sempre mais, de não nos contentarmos jamais, do coração fechado às necessidades do pobre».

A rota segura para a alegria é um caminho arriscado, porque implica entrar na contramão do mundo: «Jesus na cruz é a bússola da vida, que nos orienta para o Céu. A pobreza do lenho, o silêncio do Senhor, a sua nudez por amor mostram-nos a necessidade duma vida mais simples, livre da azáfama excessiva pelas coisas. Da cruz, Jesus ensina-nos a coragem esforçada da renúncia». 

A Quaresma, acentuou Francisco, «é tempo de graça para libertar o coração das nulidades; é tempo de cura de dependências que seduzem; é tempo de fixar o olhar naquilo que resta», rumo a «uma vida que arde de caridade, e não se apaga na mediocridade».


 

Rui Jorge Martins
Fonte e imagem: Sala de Imprensa da Santa Sé
Publicado em 06.03.2019

 

 
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