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Espiritualidade

«Quem crê em mim fará as obras que Eu realizo»

«Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai» (João 14, 12 - Do Evangelho do 5.º Domingo da Páscoa)

Uma mulher vivia cheia de sofrimentos e decidiu partilhá-los com o seu pároco. “Os meus filhos detestam-me. Ninguém me vem visitar. A minha artrite está a ficar pior. Há semanas que o sol não aparece. E esta manhã o leite azedou.” De repente o seu rosto iluminou-se: “Mas sabe, padre, passei a semana inteira com de dor de cabeça e agora ela desapareceu!”.

O sacerdote respondeu: “Não, minha querida, a sua dor de cabeça não desapareceu. Agora fui eu que fiquei com ela!”.

Será que nós passamos as nossas dores de cabeça ou ficamos com as dos outros? A resposta ideal seria, claro, “nem uma coisa nem outra”. Mas isso seria provavelmente mentira!

Jesus oferece-nos uma alternativa a dar ou ficar com dores de cabeça.

Tudo o que ele fez mostra-nos um caminho muito mais feliz de vivermos uns com os outros: Ele alimentou as pessoas e curou-as; confortou-as e perdoou-lhes sempre que precisavam. E ajudou-as a libertarem-se de tudo o que as afastava da vida.

Tudo o que Jesus fez contribuía para criar no íntimo dos seus seguidores um espaço espiritual e psicologicamente seguro, calmo e estável, um espaço que conduzia ao crescimento e à mudança.

Lembram-se da mulher apanhada em adultério? Jesus criou-lhe um lugar seguro, onde ela poderia recompor a sua vida em vez de repetir os erros de sempre. Ele deu à sua vida uma segunda oportunidade, sem que para isso tivesse de exibir uma extraordinária demonstração de força. Bastaram dez palavras brandamente enunciadas: “Quem de vós estiver sem pecado atire-lhe a primeira pedra”.

No evangelho deste domingo, Jesus diz: “Quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo”. E as obras de que Ele fala são estas: criar espaços seguros, sólidos e felizes onde possa acontecer o que é verdadeiramente importante na vida: transformação e construção de uma grande família.

Pessoas medrosas, inseguras e infelizes não têm nem energia nem coração para se encararem a elas próprias nem para crescerem à semelhança de Deus, e muito menos para construírem a comunhão. Elas gastam até à última gota das suas energias simplesmente para sobreviverem.

Isto não é vida, nem é necessário. Podemos ajudar-nos uns aos outros a ter uma existência à imagem do que Jesus fez: reconhecendo os efeitos poderosos que temos uns nos outros, para o bem e para o mal, e querer, conscientemente, que até as nossas mais opções mais pequenas se convertam em espaços seguros, sólidos e felizes onde todos os membros da nossa grande família possam crescer integralmente.

Só um exemplo. Nos escassos minutos que nos reunimos para a missa, estamos a criar um espaço para os outros. A aparência dos nossos rostos (abertos, fechados), a maneira como nos sentamos, levantamos e ajoelhamos, a maneira como disponibilizamos espaço para os outros, a maneira como cantamos ou não cantamos, a maneira como respondemos às orações (entre dentes ou de forma convicta): tudo isto pode elevar os espíritos das pessoas que estão à nossa volta – ou desanimá-los.

Cada instante da vida é assim: podemos sufocá-la ou libertá-la, ajudando as pessoas a terem coração ou a perdê-lo. Nenhum momento da nossa existência é neutro.

Os espíritos não crescem nem florescem quando estão ameaçados, zangados ou concentrados na autodefesa e na mera sobrevivência. Sendo assim, por que não fazer o que Jesus sempre fez? Dispor do que está ao nosso alcance, uma longa cadeia de breves momentos, nos quais as nossas mais escolhas mais ínfimas podem, uma a uma, ajudar a criar espaços interiores seguros, intocados pelo medo ou raiva, espaços onde o crescimento integral pode acontecer. É tão simples. Façamo-lo uns pelos outros – agora!

 

Mons. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad. / adapt.: Rui Martins
© SNPC (trad.) | 21.05.11

FotoNASA/Roger Ressmeyer/Corbis






















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