/head Se a Igreja esquece o povo de Deus e os não crentes, é como dizer ao Espírito Santo que não precisa dele | Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Se a Igreja esquece o povo de Deus e os não crentes, é como dizer ao Espírito Santo que não precisa dele

«Se nós, cristãos, esquecemos o povo de Deus, também o povo não crente, se nós, sacerdotes, esquecemos o nosso rebanho, se nós, bispos, esquecemos isto e sentimo-nos mais importante do que os outros, renegamos o dom de Deus. É como dizer ao Espírito Santo: “Vai, vai tranquilamente para a Trindade, descansa, que eu faço tudo sozinho”. E isto não é cristão.»

Os caminhos, tantas vezes insondáveis, que Deus percorre para escolher pessoas, leigos, religiosos e clero, para o anunciar, estiveram no centro da meditação que o papa propôs hoje, na missa a que presidiu, no Vaticano, na qual criticou os «trepadores» que não olham a meios para escalar a «carreira eclesiástica».

«Quando Deus elege, faz ver a sua liberdade e a gratuidade. Pensemos em nós todos que estamos aqui: como é que o Senhor nos elegeu? “Porque somos de uma família cristã, de uma cultura cristã…”. Não: muitos de famílias cristãs e de cultura cristã rejeitam o Senhor, não querem. Mas como é que estamos aqui, eleitos pelo Senhor? Gratuitamente, sem mérito algum», assinalou.

Sendo a vocação (chamamento) uma oferta, ninguém tem de abrir os cordões à bolsa para se tornar cristão: «Nós, sacerdotes, bispos, não pagámos nada para nos tornarmos sacerdotes e bispos – pelo menos é o que eu penso, não?».

«Porque há aqueles, sim, que querem progredir na chamada carreira eclesiástica, que se comportam de modo simoníaco, procuram influências (…); são os trepadores. Não, isso não é cristão. O ser cristão, o ser batizado, o ser ordenado sacerdote e bispo é pura gratuidade. Os dons do Senhor não se compram», frisou.

Na vida do dia a dia, prosseguiu Francisco, «nas empresas, no trabalho, muitas vezes para se ter um lugar mais alto fala-se a determinado funcionário, a determinado governante»; ora, acentuou, esse comportamento «não é dom».

Ser-se cristão é um presente de Deus: «Assim se compreende a nossa atitude de humildade, aquela que devemos ter, sem mérito algum. Apenas devemos guardar esse dom, para que não se perca».

«Esta é a santidade. As outras coisas não servem. A humildade de guardar. Qual é o grande dom de Deus? O Espírito Santo. Quando o Senhor nos elegeu, deu-nos o Espírito Santo. E esta é uma graça pura, uma graça pura. Sem mérito nosso», que deve ser protegido com «fidelidade».


 

Rui Jorge Martins
In L'Osservatore Romano
Imagem: "Espírito Santo" (det.) | D.R.
Publicado em 21.01.2020

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos