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Se não encontrares um padre para te confessares, fala com Deus, diz papa Francisco

A falta de padres disponíveis para celebrar o sacramento da Reconciliação, devido à pandemia, não é motivo para que esta Quaresma e a Páscoa sejam vividas longe do perdão de Deus, considera o papa, que na missa desta manhã pediu orações pelos médicos que «estão no limite» e pelas autoridades.

«Eu sei que muitos de vós, na Páscoa, vão confessar-se para se reencontrarem com Deus, mas muitos me dirão: “Padre, onde posso encontrar um sacerdote, um confessor, porque eu quero fazer a paz com o Senhor, eu quero que Ele me abrace, quero que o meu Papá me abrace; como posso fazê-lo, se não encontro sacerdote?”», apontou.

Para Francisco, o Catecismo «é muito claro»: «Se não encontras um sacerdote para te confessares, fala com Deus, é o teu Pai; diz-lhe a verdade», «pede-lhe perdão de todo o coração, com dor, e promete-lhe: “Depois irei confessar-me, mas perdoa-me”; e voltarás imediatamente à graça de Deus».

A meditação do papa centrou-se na primeira leitura proclamada nas missas desta sexta-feira, na qual o profeta Oseias (14, 2-10) começa por um apelo: Volta, Israel, ao Senhor teu Deus. (…) Tomai convosco palavras de arrependimento. E voltai ao Senhor, dizendo-lhe: “Perdoa todos os nossos pecados”»; e Deus responde: «Curarei a sua infidelidade, amá-los-ei de todo o coração, porque a minha cólera se afastou deles».










A este excerto, Francisco lembrou outras duas passagens da Bíblia onde está patente o desejo de Deus pelo regresso de todos os que dele se afastaram: a parábola do pai misericordioso, também chamada do filho pródigo (Lucas 15), e as palavras contidas no livro do profeta Isaías (1,18): «Mesmo que os vossos pecados sejam como escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve».

«Tu próprio podes aproximar-te, como ensina o Catecismo, do perdão de Deus sem ter à mão um sacerdote», através de «um ato de dor bem feito, e assim a tua alma tornar-se-á branca como a neve», assinalou.

A «ternura de Deus» está especialmente presente na Quaresma, tempo propício para a «conversão do coração», para «recordar-se do Pai»; «a ternura curar-te-á de tantas, tantas feridas da vida», porque «voltar a Deus é voltar ao abraço do Pai».

«Ele [Deus] é capaz de transformar-te, de mudar o coração, mas é preciso dar o primeiro passo, voltar; não se trata de ir ao encontro de Deus, mas de voltar a casa», não para «acertar contas», mas «para deixar que Deus te embranqueça, que Deus te purifique, que Deus te abrace», afirmou.

A terminar a homilia, Francisco propôs um desafio: «Seria belo que hoje, nos nossos ouvidos, ressoasse este “volta, volta ao teu Papá, volta ao teu Pai, que te espera, e que te fará festa».

Na introdução da missa, o papa sublinhou que os médicos das regiões de Bérgamo, Treviglio, Bréscia e Cremona, epicentros do coronavírus em Itália, «estão no limite do trabalho, estão a dar a própria vida para ajudar os doentes, para salvar a vida dos outros».

«Rezemos também pelas autoridades: para elas não é fácil gerir este momento, e muitas vezes sofrem incompreensões», afirmou Francisco, para quem elas e os agentes de saúde, incluindo enfermeiros e voluntários, «defendem» a população na «crise» causada pela pandemia.








Imagem "O filho pródigo" | Heliy Mikhailovich Korzhev

 

Rui Jorge Martins
Fonte: Vatican News
Imagem: "O filho pródigo" (det.) | Heliy Mikhailovich Korzhev
Publicado em 20.03.2020

 

 
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