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Sri Lanka: Igreja de Santo António reabriu para oração de crentes de várias fés

A igreja de Santo António em Kochchikade, no Sri Lanka, alvo de um ataque terrorista no domingo de Páscoa, reabriu durante algumas horas, entre fortes medidas de segurança, para acolher fiéis de várias fés que confiaram as suas orações ao pregador nascido em Lisboa.

A reabertura, que ocorreu enquanto estão em andamento os trabalhos de restauro e reconstrução, não previu a celebração de missas, tendo visado permitir aos crentes expressar a sua espiritualidade com devoções tradicionais, especialmente na primeira terça-feira do mês.

«A nossa fé em Deus, o nosso amor por Santo António, não pode ser destruído por nenhum ataque ou kamikaze. Nas nossas vidas, teremos sempre que enfrentar momentos como esse», comentaram Percy, Ranjith e Nevi.

As vítimas dos massacres, que aconteceram também em igrejas de Negombo e Batticaloa, estão igualmente presentes nas intenções dos três jovens.

«Continuamos a lembrar-nos de todos aqueles que foram mortos há duas semanas nas três igrejas. Eles vieram cá porque tinham um amor imenso por Deus. Poderiam ter ficado em casa, mas em vez disso decidiram vir à igreja. Pensar nessas vítimas entristece-nos, mas sentimos que estão no abraço de Deus», afirmaram.

A igreja de Santo António é um santuário que congrega peregrinos católicos, protestantes, budistas, hindus e muçulmanos de todo o país.

Gopi Kirubaharan, um tamil hindu, esteve na fila com a família para homenagear o santo: «Demorámos meia hora para chegar à estátua de Santo António e beijá-la, agradecendo-lhe por tudo. Vimos a este santuário duas ou três vezes por semana, mas depois da explosão na Páscoa não pudemos vir. Hoje é a primeiro dia depois de duas semanas. Foram duas semanas que pareceram dois anos».

Stephen, um empresário de Colombo, chegou ao santuário com a sua esposa e filha. Depois de acender algumas velas a Santo António, comentou: «A morte é o destino comum para nós, homens, é o nosso destino na Terra. Para nós, católicos, isso significa entrar na vida eterna. Embora vir aqui nos lembre todos os nossos irmãos e irmãs que foram mortos, acreditamos que estão nos braços de Deus».

Alguns dos presentes estavam revoltados com as autoridades. Um idoso, depois de ter pedido a bênção a um padre, afirmou: «Não há nem o desenvolvimento nem a liberdade que esperávamos quando votamos neles para o poder. Veja o que acontece agora no país: as pessoas vivem no medo, o governo não garante a segurança, temos medo de mandar os nossos filhos para a escola; nós, católicos, somos um alvo fácil para os radicais islâmicos; não há paz».


 

Melani Manel Perera
In Asia News
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 09.05.2019

 

 
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