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Eleições para o Parlamento Europeu/2014

«Temos demasiado a perder se o projeto europeu descarrilar»: Bispos apelam ao voto, apontam critérios de eleição e lembram efeitos «trágicos» da crise

Os membros da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (Comece) publicaram uma nota sobre as eleições para o Parlamento Europeu, marcadas para o próximo domingo em Portugal, em que apelam ao voto e declaram o apoio ao «projeto europeu», ao mesmo tempo que denunciam a situação «trágica» causada pela crise económica em parte significativa da população.

«Nós, Bispos Católicos, apelamos a que o projeto europeu não seja posto em risco ou abandonado na presente situação de dificuldades. É essencial que todos nós – políticos, candidatos, todos os interessados – contribuamos de forma construtiva para moldar o futuro da Europa. Temos demasiado a perder se o projeto europeu descarrilar», sublinham os prelados.

Por este motivo «é essencial» que os cidadãos europeus compareçam às urnas e o façam «seguindo os ditames de uma consciência informada», critério a que o documento procura responder destacando «questões de relevo», lidas à luz «da doutrina social da Igreja», que são dirigidas «em primeiro lugar» aos católicos, mas também a «todos os homens e mulheres de boa vontade empenhados no êxito do projeto europeu».

O texto vinca a importância de os candidatos a deputados estarem «cientes dos danos colaterais da crise económica e bancária iniciada em 2008», que se manifestam no facto de o «número dos "novos pobres"» estar a crescer «a um ritmo alarmante», a par da «frustração das perspetivas de futuro de muitos (...) jovens».

«A situação é dramática, para muitos até mesmo trágica», escreve a Comece, salientando que as dificuldades na economia, causadas pelo «colapso do sistema bancário», tornaram «mais tensas as relações entre os Estados ­Membros» e constituíram «um desafio ao princípio fundamental da solidariedade entre as partes da União».

Depois de recordar que «o projeto europeu inspira-se por numa visão nobre da humanidade», a nota assinala que «os cidadãos, comunidades e até mesmo os Estados-nação devem ser capazes de pôr de lado o interesse particular em busca do bem comum».

A «solidariedade» é um «pilar da União», pelo que «deve presidir à política, na UE [União Europeia], a todos os níveis, entre nações, regiões e grupos populacionais», apontam os prelados, que exortam à construção de «um mundo diferente, baseado na solidariedade».

«Uma cultura de moderação deve inspirar a economia social de mercado e a política ambiental. Temos de aprender a viver com menos e procurar que as pessoas em situação de pobreza real participem de uma forma mais equitativa na distribuição dos bens», defendem os prelados.

A Comece recorda igualmente que «a vida humana deve ser protegida desde o momento da conceção até à morte natural», e que «a família, célula-base da sociedade, também deve gozar também da proteção de que necessita».

O documento menciona também o fenómeno crescente, e muitas vezes dramático, das pessoas de outros continentes que procuram na Europa, mesmo ilegalmente, melhores condições de vida.

«É de vital importância que o tratamento de migrantes nos pontos de entrada seja humano, que os seus direitos humanos sejam escrupulosamente respeitados e que, posteriormente, todos os esforços sejam envidados, inclusivamente pelas Igrejas, para garantir uma boa integração nas sociedades de acolhimento no seio da UE», aponta o texto.

Por outro lado, é preciso o compromisso «com uma abordagem mais ecológica», lembrando que «a sustentabilidade é um elemento fundamental de qualquer política de crescimento ou desenvolvimento».

Os bispos assinalam também a importância de garantir a «liberdade religiosa», que «inclui o direito de manifestar as suas crenças em público», e exprimem o apoio a
«todas as medidas para proteger o dia comum de descanso semanal, que é o domingo».

Os membros da Comece chamam ainda a atenção «para o nível e qualidade dos cuidados a que têm direito» os idosos, «sem deixar de apelar igualmente para políticas que criem novas oportunidades para os jovens».

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 23.05.14

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FotoParlamento Europeu
Foto: D.R.

 

 

 

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