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Tomás Halík, autor de "Paciência com Deus" e "A noite do confessor", distinguido com Prémio Templeton

O padre e filósofo checo Tomáš Halík, autor do livro “A noite do confessor”, a ser lançado esta segunda-feira em Portugal, foi distinguido com a edição de 2014 do Prémio Templeton, de 1,3 milhões de euros, um dos maiores do mundo atribuídos a pessoas individuais.

O anúncio foi feito esta quinta-feira, em Londres, numa conferência de imprensa que contou com a presença do sacerdote, publicado em Portugal pela Paulinas Editora, que dele já tinha lançado a obra “Paciência com Deus”.

Tomáš Halík (Praga, 1948) arriscou ser preso por promover a liberdade religiosa e cultural depois de a União Soviética ter invadido a Checoslováquia, tendo-se tornado desde então um defensor do diálogo entre diferentes fés e não crentes, assinala o site do Prémio Templeton.

Classificado pelo governo comunista como «inimigo do regime» em 1972, Halík, hoje com 65 anos, passou quase duas décadas a organizar uma rede de académicos, teólogos, filósofos e estudantes, dedicada a criar bases espirituais e intelectuais em ordem à instauração da democracia.

«Gostaria de recordar hoje com gratidão os meus professores de filosofia e teologia, muitos dos quais passaram longos anos nos campos prisionais comunistas e tiveram muito pouca oportunidade de escrever ou publicar. Estou agradecido a eles pela sua inspiração intelectual, espiritual e moral, pelo seu testemunho de fé, coragem, perseverança e sabedoria», declarou o premiado.

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da República Checa, Karel Schwarzenberg, elogiou o padre Halík pela capacidade de conseguir juntar pessoas de variadas crenças religiosas, bem como ateus e agnósticos.

«Durante muitos anos, o professor Halík tem construído pontes entre várias religiões, culturas e nações. Através da sua vida e trabalho, tem ajudado a fomentar o respeito por valores espirituais e religiosos entre a opinião pública secular», acentuou o ex-governante.

A luta do sacerdote contra o regime comunista começou quando um seu colega de estudo, Jan Palach, morreu ao imolar-se numa das principais praças de Praga, em 1969. Depois de contribuir para preparar as celebrações fúnebres, Halík decidiu ser padre.

Foi clandestinamente ordenado em 1978, na então República Democrática da Alemanha, acontecimento que foi mantido secreto até para a mãe.

Professor universitário em Praga, Halík é autor de livros traduzidos em 15 línguas, obras em que se centra no diagnóstico espiritual da contemporaneidade e no diálogo entre fé e ateísmo, como é o caso de “Paciência com Deus”, Livro Teológico Europeu de 2009/10.

«O mundo em que vivemos é profundamente ambivalente e cheio de paradoxos, e portanto oferece oportunidade para várias interpretações, tanto religiosas como ateístas. Pascal escreveu que há luz suficiente para aqueles que desejam acreditar, e escuridão suficiente para aqueles que escolhem a outra alternativa. Deus não nos tira a liberdade e a responsabilidade implícitas na nossa escolha», sublinhou Halík.

Depois de ter afirmado que «muitos dos que “lutam com Deus” estão provavelmente mais perto de Deus do que muitos crentes convencionais e conformistas», o autor evocou o cardeal John Henry Newman, que o ajudou a compreender que «a tradição é um processo dinâmico de constante reinterpretação do tesouro da fé».

Um dos indicadores da «maturidade da fé», prosseguiu Halík, é saber até que ponto ela «cria espaço para a consciência»: «Uma fé amadurecida ajuda a amadurecer a consciência; uma fé imatura não confia na consciência e exige respostas simplistas e a preto e branco para questões complexas».

O projeto de John Templeton, idealizador do prémio, une as diferenças entre todos os distinguidos, salientou também o sacerdote, nomeadamente a compreensão de que «é necessário à vida dos indivíduos e da sociedade cultivar constantemente a dimensão espiritual».

O prémio da Fundação Templeton, sediada em West Conshohocken (Pensilvânia, EUA), distingue uma personalidade que tenha contribuído de forma relevante para afirmar a dimensão espiritual da vida.

Entre os distinguidos com o Prémio Templeton encontram-se Beata Madre Teresa de Calcutá, no primeiro ano em que o galardão foi atribuído (1973), Irmão Roger (Taizé), Chiara Lubich, Aleksandr Solzhenitsyn e, em 2013, o arcebispo anglicano Desmond Tutu.

O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura pré-publicou excertos de “A noite do confessor”, além de ter avançado alguns fragmentos de “Paciência com Deus” (cf. Artigos relacionados).

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 13.03.14

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