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Vaticano acolhe congresso sobre “Culturas da Não Crença”

O Vaticano, através da Universidade Gregoriana, em Roma, acolhe entre hoje e quinta-feira um ciclo de conferências sobre “Culturas da Não Crença”, que tem a presidir a duas sessões paralelas o psicólogo e psicoterapeuta português Miguel Farias.

Perante o crescimento da população global de "incrédulos" religiosos, o encontro reúne 40 académicos, líderes de grupos religiosos e não religiosos, jornalistas, educadores, entre outros peritos, «para compreender o que significa realmente ser um "incrédulo" religioso», refere o texto de apresentação.

Organizado em parceria com a Universidade de Kent, Reino Unido, o projeto pretende aprofundar os modos «como os "incrédulos" se envolvem com a religião, as suas diferentes crenças existenciais, metafísicas e morais, e as perspetivas de diálogo e colaboração entre crentes e não crentes».

Descrença para a geração dos ‘millennials’ no século XXI, a natureza oculta da incredulidade, crenças dos incrédulos acreditam, importância da religião para quem não vai à igreja, o ateísmo como vocação e a natureza mutável da descrença ao longo da vida, são alguns dos temas de um encontro que também se centra na não-crença em várias culturas e religiões não cristãs.

No congresso, que também assinala o 50.º aniversário da primeira conferência sobre o tema realizada no Vaticano, em 1969, os intervenientes vão igualmente analisar os resultados de um estudo sobre não crentes, liderado pela Universidade de Kent e financiado pela Fundação Templeton.



«Num momento em que as nossas sociedades se polarizam cada vez mais, é muito interessante e estimulante comprovar que um dos supostos grandes fossos humanos entre crentes e não crentes pode não ser assim tão grande»



A pesquisa, realizada no Brasil, China, Dinamarca, EUA, Japão e Reino Unido, revela que a maioria dos não crentes – conjunto que na investigação inclui ateus (não creem num Deus), agnósticos (não sabem se há Deus) e pessoas que não se interessam sobre a eventual existência divina – acreditam num ou mais fenómenos sobrenaturais, como a existência de algum tipo de vida após a morte ou a influência dos astros.

Outra constatação da pesquisa, revela o jornal espanhol ABC, é que a figura do ateu convencido e dogmático praticamente não existe, e a sua existência história está sobretudo ligada a fatores políticos, primariamente não intelectuais ou religiosos.

«A imagem tradicional do ateu é, no melhor dos casos, uma simplificação. E, no pior, uma caricatura simplista. Agora podemos trabalhar com um conhecimento real das diferentes visões do mundo entre a população ateia», declarou o sociólogo Lois Lee, cofundador da Rede de Investigação para a Não Religião e Secularismo da Universidade de Kent.

Apesar das diferenças existentes entre as convicções dos não crentes, regista-se que aderem a valores positivos como a dignidade humana, o respeito pela natureza, um alto conceito da família e de liberdade, e o desejo de dar significado à vida.

«Num momento em que as nossas sociedades se polarizam cada vez mais, é muito interessante e estimulante comprovar que um dos supostos grandes fossos humanos entre crentee e não crentes pode não ser assim tão grande», observou o antropólogo Jonathan Lanman, codiretor do estudo.

A Igreja passou a dar uma atenção mais intensa ao fenómeno com a criação, em 1965, através do papa S. Paulo VI, do Secretariado para o Diálogo com os Não Crentes, incorporado mais tarde, por S. João Paulo II, no Conselho Pontifício da Cultura, que sob a inspiração de Bento XVI, tem coordenado o Átrio dos Gentios, plataforma para o diálogo entre crentes e não crentes.


 

Rui Jorge Martins
Fontes: Universidade de Kent, ABC
Imagem: D.R.
Publicado em 28.05.2019

 

 
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