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Vaticano prepara-se para lançar equipas oficiais de taekwondo e judo e quer ter comité olímpico

Depois de há um ano ter instituído uma federação de atletismo reconhecida internacionalmente, a Santa Sé está a preparar-se para acolher, também a nível oficial, dois novos desportos, o taekwondo e o judo.

«O taekwondo é um desporto que envolve disciplina, autocontrole e grande flexibilidade. O taekwondo e o judo costumavam fazer parte do programa de treino da polícia do Vaticano», explica Mons. Melchor Sanchez de Toca, responsável pela atividade desportiva da Santa Sé.

O sacerdote espanhol, subsecretário do Conselho Pontifício da Cultura, sublinha que a opção pelas novas modalidades não significa que sejam usadas «para combate, ou como técnica de autodefesa, mas simplesmente como desporto».

«O objetivo derradeiro é criar um comité olímpico, e para que tal aconteça tem de haver pelo menos cinco federações internacionalmente reconhecidas. Nós gostaríamos simplesmente de promover o desporto, todas as disciplinas, entre os residentes e empregados do Vaticano», revela.



«A exortação do papa Francisco para “sair” encorajou, sem dúvida, a presença em áreas que, noutros tempos, poderiam parecer distantes da Igreja, mas o nosso trabalho, na verdade, começou com o papa Bento. E não podemos esquecer que o papa João Paulo II foi um atleta»



O propósito da presença da Santa Sé no mundo do desporto «não é ganhar medalhas ou estar no pódio, mas simplesmente tomar parte em algumas competições internacionais, especialmente aquelas com valor acrescentado a nível cultural ou espiritual, como os Jogos Olímpicos, os Jogos do Mediterrâneo ou os Jogos dos Pequenos Estados da Europa, seriamente e honestamente, competindo e dando o melhor, mas sem quaisquer expetativas de vencer».

Mons. Toca salienta que «o desporto é importante na vida de todas as pessoas: o impacto positivo do desporto está bem descrito no documento do Vaticano “Dar o melhor de si mesmo”, publicado em junho de 2018. É uma escola de virtudes e valores, que se adequa perfeitamente a uma visão cristã do ser humano», e os atletas da Santa Sé, «por causa do que representam», estão muito conscientes das suas «obrigações éticas», acentua.

O responsável lembra a frase de Ireneu, escritor e pensador do século II, a glória de Deus é o ser humano vivo: «Como muitos dos meus colegas e outras pessoas em todo o mundo, tendo traduzir isto para a minha vida diária; as minhas rotinas e exercícios de corrida, combinadas com alguma natação, caminhada e escalada, fazem parte da minha vida tanto como a meditação pessoal, celebrar missa ou ouvir pessoas em confissão».

Alguns dos atletas da Santa Sé são fortes, «especialmente fortes», enquanto outros correm apenas por divertimento, explicou o sacerdote, acrescentando que os treinadores propõem programas personalizados de acordo com a idade, capacidade e objetivos».



«A ênfase que Francisco tem dado não só em “sair”, mas “ir para as periferias”, também nos encoraja a estarmos presentes não só nos desportos mais importantes, mas também em todos os desportos em que as pessoas procuram alguma espécie de significado»



O envolvimento do Vaticano com o desporto, que se traduz num departamento criado dentro da orgânica do Conselho Pontifício da Cultura, tem sido inspirado pelos pontífices: «A exortação do papa Francisco para “sair” encorajou, sem dúvida, a presença em áreas que, noutros tempos, poderiam parecer distantes da Igreja, mas o nosso trabalho, na verdade, começou com o papa Bento. E não podemos esquecer que o papa João Paulo II foi um atleta».

«Sentimos um grande sentido de continuidade em relação ao apoio que os papas concederam ao desporto no último século. A ênfase que Francisco tem dado não só em “sair”, mas “ir para as periferias”, também nos encoraja – e ao dizer “nós” quero significar toda a Igreja católica, e não apenas o Vaticano, que o faz sobretudo simbolicamente – a estarmos presentes não só nos desportos mais importantes, mas também em todos os desportos em que as pessoas procuram alguma espécie de significado», assinala.

A Igreja procura «partilhar a luz do Evangelho ao serviço da dignidade de cada e de todas as pessoas, particularmente os mais pobres e necessitados, incluindo os migrantes e aqueles maltratados e explorados», observa Mons. Melchor Sanchez de Toca.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Deutsche Welle
Imagem: D.R.
Publicado em 15.01.2020

 

 
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