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Moçárabes

Vida e testemunho dos moçárabes inspira primeira obra

O primeiro romance de Alberto Santos, A Escrava de Córdoba (Porto Editora), parte da investigação do período histórico de 976-1002, pouco conhecido no território que hoje é Portugal. “A nossa historiografia passa ao lado desses tempos. Estudamos os romanos, as invasões germânicas e sabemos que os árabes estiveram aqui muitos séculos e deixaram marcas profundas naquilo que somos hoje como país e como povo”, afirmou ao Jornal de Letras.

Acima de tudo, quis contar “uma história de pessoas que, tal como nós, tinham os seus problemas vinculados ao espaço e tempo em que viviam”, refere o actual presidente da Câmara Municipal de Penafiel. Muitos cristãos e judeus que habitavam a Península Ibérica foram raptados durante o domínio árabe e transportados para a região do Al Andaluz onde se viam forçados a viver uma vida contrária às das suas convicções religiosas e culturais. Era uma situação limite, que levava as pessoas a confrontarem-se consigo próprias e com os seus valores. Ou se convertiam á religião muçulmana, aceitando as regras e costumes árabes, ou mantinham a sua fé e os seus costumes, o que tinha um preço elevado. Os moçárabes (cristãos que viviam em território árabe) não só pagavam impostos altíssimos, como tinham uma vida social muito condicionada. Alguns, com pior sorte, eram mantidos em cativeiro ou vendidos como escravos. A Escrava de Córdova é a história de uma dessas cristãs. E, também, uma história de amor. A Alberto Santos interessou-lhe demonstrar que, com o tempo, é possível encontrar plataformas comuns entre pessoas de raças, credos e convicções diferentes. (...)

A narrativa evoca igualmente “o pensamento em torno de uma divindade que é, aparentemente, igual, mas que se manifesta culturalmente de maneiras diferentes”, o que leva a que os povos, “em vez de absorverem os princípios de paz e tolerância que os livros basilares de todas as religiões promovem, utilizem a divindade para fazer a guerra”.

 

Sinopse (da Editora)

A Escrava de Córdova segue a vida de Ouroana, uma jovem cristã em demanda pela liberdade e pelo seu lugar especial no mundo. Confrontada com as adversidades do tempo em que lhe foi concedido viver, e em nome do coração, a jovem terá de questionar a educação, as convicções e a fé que sempre orientaram a sua existência. Será, por entre a efervescência das mesquitas e o recato das igrejas graníticas da sua terra, que a revelação por que tanto almeja a iluminará.

Uma história inolvidável de busca de felicidade que tem lugar nos séculos X-XI, numa época pouco tratada pela Historiografia oficial e mesmo pela ficção romanceada. Um pretexto para uma brilhante explicação sobre o caldo cultural e civilizacional celto-muçulmano dos actuais povos peninsulares e uma profunda explanação sobre as origens, fundamentos e consequências da conflituosidade étnico-religiosa que hoje, tal como no distante ano 1000, ainda grassa no mundo. (...)

Rita Silva Freire

in Jornal de Letras, 18.06.2008

03.07.2008

 

 

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