
Ao Serviço da Fé na Sociedade Plural
(Georgino Rocha, Princípia, 2007)A pessoa humana constitui o centro e o ápice de tudo quanto foi criado. É a única criatura na Terra que Deus quis por si mesma e se realiza plenamente mediante a doação de si própria. Nela convergem, hoje, as correntes de pensamento mais expressivas no mundo ocidental, as políticas sociais dos estados, o diálogo inter-religioso e o movimento ecuménico. Crentes e não-crentes estão de acordo em que para ela tudo deve ser orientado (GS 12).
O núcleo mais sagrado e o santuário mais íntimo do ser humano é a consciência pessoal que se abre ao diálogo com Deus, dando voz à lei natural e acolhendo os contributos das várias culturas milenárias e actuais. Cumpre-lhe adquirir uma compreensão razoável da vida e da sociedade, resolver os problemas que surgem, discernindo as situações com sábios critérios e tomando opções realistas, fruto da ponderação evangélica entre o desejável e o possível.
Para ter consciência recta e agir livremente (GS 16 e 17), a consciência necessita de estar bem informada e de ser bem formada. Só assim se defenderá do relativismo e do subjectivismo. Os direitos humanos fundamentais e a mensagem cristã devem destacar-se entre os conteúdos substanciais da informação e da formação, pois são elementos básicos que procedem da revelação do projecto divino de salvação expresso de múltiplas maneiras.
A urgência de proporcionar à consciência os meios indispensáveis à sua acção comporta exigências que, sem alienar a responsabilidade pessoal, dizem respeito às instâncias educativas, designadamente à Igreja chamada a evangelizar. Por isso, surgem as propostas que favorecem os itinerários de fé, as pedagogias que facilitam a comunicação e a transmissão de um saber tipicamente cristão em diálogo com as culturas.
A consciência, agindo livremente, vai amadurecendo a sua resposta e a sua adesão não apenas aos ensinamentos adquiridos ou à experiência agradável conseguida, mas à graça de Deus que, normalmente, actua também por estes meios. A conversão cristã é prosseguida por movimentos e serviços plurais que, actuando no seio da Igreja, procuram ajudar cada pessoa e cada comunidade a definir a sua identidade e a traçar o perfil da sua actuação. Abrange todas as dimensões do social, amplo espaço de evangelização das realidades temporais (AA 7) e pretende «infundir no coração dos homens a carga de sentido e de libertação do Evangelho, de modo a promover uma sociedade à medida do homem porque à medida de Cristo» (Conselho Pontifício Justiça e Paz, Compêndio da Doutrina Social da Igreja, São João do Estoril, Cascais, Princípia, 2005, n.º 63, p. 57).
Esta medida envolve não apenas a convivência social fraterna, fruto da filiação divina, mas também a relação com os bens, de modo que todas as pessoas possam desfrutar do seu uso e apreciar o seu valor e a sua beleza, de forma sábia e moderada, e cada uma disponha efectivamente do que é necessário para uma vida digna, sem excessos nem carências.
Construir uma sociedade tendo como sonho utópico o lema de São Paulo – «Tudo é vosso, vós sois de Cristo e Cristo é de Deus» – é desafio que indicará o rumo de todo o progresso, mobilizará todas as energias humanas e dará sentido a todas as opções fundamentais alicerçadas nesta escala de valores e nas respectivas realizações.
Por isso, «ser cristão com Cristo» constitui a constante e a meta do nosso peregrinar contínuo, fruto de uma consciência honesta, onde se «jogam» as opções mais radicais e a graça de Deus e o esforço humano estabelecem admirável aliança. A testemunhá-lo, de forma próxima e eloquente, estão os mártires do nosso tempo, dos quais me apraz destacar o padre Alírio Baptista por motivos de especiais significado e contundência, e tantos outros «confessores da fé» que se reflectem, de modo singular, no rosto de Maria Madalena da Fonseca Magalhães.
Ao Serviço da Fé é o título (...) da obra agora apresentada, que pretende oferecer, ainda que de forma densa e clara, o conteúdo, o itinerário, a pedagogia e o objectivo desta área pastoral da missão da Igreja. Com as suas limitações e com os seus recursos, a bem de quem procura um sentido nobre para a vida, de uma Igreja significante para o nosso tempo e com uma relação recíproca de mútuo enriquecimento com a sociedade da qual, embora não se confundindo com ela, faz parte qualificada.
A obra Ao Serviço da Fé na Sociedade Plural comporta um conjunto harmonioso de temas publicados em épocas e espaços distintos e agora revistos e actualizados. Estão unidos pelos mesmos propósito e temática, sendo diversificados quanto à sistematização de conteúdos e pedagogias, ao estilo literário e ao grau de envolvência proposto ao leitor. Na sua simplicidade digna, constitui uma proposta séria que se deseja útil à Igreja na realização da missão que Jesus Cristo nos confia, em cada espaço cultural e tempo de salvação.
P. Georgino Rocha
(Introdução)
O trabalho que o padre Doutor Georgino Rocha, do presbitério de Aveiro, agora publica vem ao encontro de um melhor serviço da fé.
O autor tem credenciais que o recomendam. É a sua uma vida dedicada à formação dos mais diversos agentes pastorais, com uma experiência pessoal enriquecida pela reflexão, a investigação, a acção directa e o ensino teológico-pastoral […].
Tudo isto tem no autor o apoio lúcido da sua formação em Teologia Pastoral, testada por um doutoramento que não se ficou no diploma recebido, mas lhe tem servido de estímulo à actualização e ao seu dever de comunicar […].
[…] para todos tem sentido de urgência de sempre, e mormente dos tempos que correm, o serviço da fé numa sociedade secularizada, em que todos vemos que ou este dom sobrenatural se torna riqueza de convicção e motivação ou, permanecendo como simples tradição, será incapaz de resistir à erosão que o afecta inexoravelmente.
D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro
(Prefácio)
Ao Serviço da Fé na Sociedade Plural
Autor: P. Georgino Rocha
Editora: Principia (marca especializada da Princípia Editora em textos académicos e técnico-científicos)
Data: Setembro 2007
Páginas: 304
ISBN: 978-989-8131-00-3
© SNPC - Publicado em 12.10.2007
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