
Santo Efrém
Afugenta, Senhor, com a luz diurna da tua sabedoria,
as trevas nocturnas da nossa mente,
para que, iluminados por Ti,
Te sirvamos com espírito renovado e puro.
A chegada do sol representa para os mortais
o início do seu trabalho;
Adorne, Senhor, em nossas almas uma mansão
em que possa continuar aquele dia
que não conhece o ocaso.
Faz que saibamos contemplar em nós mesmos
a vida da ressurreição,
e que nada possa separa nossas mentes
de teus deleites.
Imprime em nós, Senhor,
por nossa constante adesão a Ti,
o selo daquele dia
que não depende do movimento solar.
Em cada dia estreitamos-Te em nossos braços
e recebemos-Te em nosso corpo
por meio dos teus sacramentos;
Faz que sejamos dignos de experimentar na nossa pessoa,
a ressurreição que esperamos.
Pela graça do baptismo
trazemos escondido em nosso corpo
o tesouro que Tu nos deste;
que este mesmo tesouro
vá crescendo na mesa dos teus sacramentos;
faz que nos alegremos com teus dons.
Temos em nós, Senhor, o teu memorial,
recebido da tua mesa espiritual;
dá-nos que alcancemos sua realidade plena,
na renovação futura.
Pedimos-Te, Senhor,
que aquela beleza espiritual
que tua vontade imortal faz brotar
na mesma mortalidade
nos faça compreender a nossa própria beleza.
Tua crucifixão, ó Salvador Nosso,
foi o término da tua vida mortal;
faz que crucifiquemos nossa mente
a fim de obter a vida espiritual.
Que a tua ressurreição, ó Jesus,
faça crescer em nós o homem espiritual;
que a visão dos teus sinais sacramentais
nos ajude a conhecê-la.
As tuas disposições divinas, ó Salvador Nosso,
são figura do mundo espiritual;
faz que nos movamos nele,
como homens espirituais.
Não prives, Senhor, a nossa mente
da tua manifestação espiritual,
e não separes de nós
o calor da tua suavidade.
A mortalidade latente em nosso corpo
derrama em nós a corrupção;
que a aspersão do teu amor espiritual
apague em nossos corações
os efeitos da mortalidade.
Concede-nos, Senhor, que caminhemos com presteza
para a nossa pátria definitiva
e que, como Moisés, do cume do monte,
possamos desde agora contemplá-la pela fé.
Dos Sermões de Santo Efrém (diácono), Sermo 3, De fine et admonitione 2. 4-5 (Opera, edição Lamy 3, 216-222)
RF
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