Distinção
Presidente da República condecora religiosa católica no Dia de Portugal
A irmã Ana Maria de Sousa Vieira, que vai ser condecorada no domingo pelo presidente da República, espera que a distinção contribua para divulgar o trabalho da instituição de apoio a mulheres deficientes que dirige há 39 anos.
A religiosa dominicana pretende que a Ordem do Mérito, no grau de Comendador, traga «visibilidade e credibilidade» à Associação Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos, instalada no Convento dos Cardais, em Lisboa, afirmou hoje à Agência Ecclesia.
A instituição, que remonta a 1843, começou por ser um asilo para invisuais mas há três décadas alargou a assistência a pessoas com deficiências motoras e mentais não profundas, acolhendo atualmente 38 mulheres, tendo a mais idosa quase 90 anos.
«Se não estivessem aqui, estariam na rua», assinala a responsável, que define a associação como uma «casa de fim de linha» onde se procura «criar um conceito e prática de família» que privilegia o «desenvolvimento psíquico», a «integração na sociedade» e, em síntese, a «qualidade de vida».
A comparticipação da Segurança Social é insuficiente mas a instituição conta com donativos de empresas e particulares, além de atividades extraordinárias de recolha de fundos, como é o caso de um jantar solidário que vai realizar-se a 24 de junho, estando também prevista a criação de uma associação de amigos.
Além da comunidade religiosa composta por mais quatro irmãs, a religiosa dirige 17 colaboradores pagos que asseguram a assistência ininterrupta a mulheres com deficiência a partir dos 18 anos e, em casos excecionais, menores de idade.
A condecoração a atribuir no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é inesperada porque, segundo a responsável, a associação «não trabalha para ser recompensada»: «O que fazemos é porque o coração manda e porque as pessoas precisam».
Por isso, acrescentou, «a comunidade religiosa continuará a fazer exatamente o que tem feito até agora, com o mesmo espírito, devoção e entrega».
A responsável lembra o testemunho de uma das 38 mulheres, redigido dias antes de se saber da distinção presidencial: «Esta casa devia ser condecorada porque chegamos aqui sem nada e dão-nos tudo».
A Ordem do Mérito destina-se a «galardoar atos ou serviços meritórios praticados no exercício de quaisquer funções, públicas ou privadas, que revelem abnegação em favor da coletividade», explica o site da Presidência da República.
Entre as personalidades que vão ser condecoradas pelo presidente da República incluem-se a pintora Emília Nadal, o historiador José Hermano Saraiva e o sociólogo António Barreto.
Rui Jorge Martins
In Agência Ecclesia
09.06.12

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