Projecto cultural
Balanço e perspectivas

D. Carlos Azevedo aponta perspectivas para a Pastoral da Cultura

Numa breve entrevista concedida ao SNPC no último dia da Assembleia Geral da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Carlos Azevedo, que no último triénio foi membro da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, avalia o projecto da Pastoral da Cultura e traça os objectivos para os próximos três anos.

 

D. Carlos Azevedo, que balanço faz da actuação da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais neste triénio, e quais as perspectivas para os próximos três anos?

Ainda não nos detivemos nessa análise, mas considero que foi um período de estruturação da própria Comissão, uma vez que era uma Comissão nova, nas suas três direcções. Concretamente no Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura penso que foi feito um trabalho pioneiro na reflexão sobre os tempos livres, sobre o entretenimento, que redundou num documento que será agora acessível. Também procurou, num debate sereno, ponderado, encontrar diálogos e portas com a cultura contemporânea. A instituição do Prémio de Cultura Padre Manuel Antunes foi uma forma de reconhecer personalidades com um destacado trabalho nas várias áreas da cultura; e aqui é preciso sublinhar que houve uma atenção a várias áreas da cultura, desde a ciência até á literatura.

Relativamente ao futuro, certamente que as comemorações [do centenário da Implantação da República] e todo o clima que estará presente em Portugal justifica que a identidade portuguesa seja um tema a privilegiar proximamente pelo Secretariado da Pastoral da Cultura, que acompanhará outras iniciativas do Centro de Estudos de História Religiosa no campo da historiografia e da investigação histórica e da reflexão, e outros trabalhos mais ligados à estética e às exposições que também possam dar para um grande público. Porque o problema das iniciativas da cultura é atingirem um grande público; geralmente essas iniciativas reduzem-se a um grupinho pequenino que reflecte mas não procede a uma mutação cultural, ou não intervém numa mutação cultural por todo o país. E é preciso encontrar formas muito concretas para que uma parte maior de pessoas possa aceder a essa cultura.

 

O que é que a Igreja pode oferecer a Portugal em termos culturais?

Eu penso que o seu património – e aqui a palavra “património” tem um sentido muito vasto: não são só os bens culturais, que também fazem parte da tutela desta Comissão, mas é toda a sua história de presença na Universidade, na cultura, na investigação, que é uma presença humanista que respeita a integridade do ser humano e também a abertura ao transcendente – é o contributo da Igreja para uma cultura cada vez mais atenta a uma humanização, a uma visão antropológica correcta do ser humano e à sua abertura a um sentido do divino e do transcendente, na diversidade das respostas que na sociedade portuguesa se podem encontrar para essa questão.

 

Em diálogo com a contemporaneidade, apesar de alguns pontos de discussão…

Exactamente. Nós notamos que hoje, na cultura pós-moderna, conforme se lhe tem chamado, há elementos que se contrapõem a perspectivas da tradição cultural cristã. E isso conduz a um confronto; às vezes a um diálogo e a um debate. Mas eu penso que esse debate e esse confronto foram sempre positivos na História, porque é na medida em que as pessoas se abrem ao outro, na sua diferença, que elas ficam mais pessoas.

rm

© SNPC - 08.04.2008

 

 

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