
Ícones pré-iconoclastas
Durante os séculos VIII e IX a cristandade do Oriente foi abalada pela terrível heresia da iconoclastia. Teologicamente, esta não foi nem mais nem menos grave que tantas outras que ameaçaram a fé durante o primeiro milénio, mas a iconoclastia teve um efeito gravíssimo que se traduziu na destruição de uma grande parte das imagens religiosas existentes até à época.
Os iconoclastas defendiam que a veneração de imagens sacras era equivalente a idolatria. Como tal, mandaram queimar, despedaçar e erradicar todas as que se encontravam nos seus territórios de influência. À data, esse território representava a maior parte do mundo cristão. Bizâncio, Alexandria e Antioquia foram todas afectadas, com a única excepção do antigo mosteiro de Santa Catarina no Sinai, de difícil acesso, cujos monges nunca acataram as blasfemas ordens imperiais. Roma foi o único centro apostólico a escapar à razia, mas nesta época, antes da expansão Europeia, a influência romana abarcava apenas a Europa Ocidental.
Um dos resultados desta triste época de perseguição é que no que diz respeito aos ícones, cuja tradição remonta precisamente ao Oriente, nos dias de hoje existem apenas oito ícones anteriores ao século VIII que representam Nossa Senhora.
Destes, cinco sobreviveram precisamente por se encontrarem em Roma e dois graças aos esforços dos monges de Santa Catarina no Sinai (entretanto um deles foi transferido para um museu em Kiev). O oitavo foi descoberto, de forma surpreendente, por um perito inglês. Richard Temple comprou o ícone copta em França tendo conseguido levá-la de volta para Londres no meio de alguma polémica, onde a recuperou e expôs na sua galeria.
As imagens dos oito ícones que apresentamos incluem uma breve explicação do seu significado; as notas dos sete primeiros ícones devem muito ao texto da irmã Wendy Beckett, publicado em “The Tablet”, de 01.12.2007.
Veja as imagens dos oito ícones, acompanhadas de uma explicação sobre o seu significado
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Filipe d'Avillez
© SNPC - 29.02.2008
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