
As festas religiosas católicas são um oásis de frescura
As festas católicas populares não representam nenhum problema teológico em si. E por isso distancio-me das teorias que vêem nestas manifestações formas residuais de paganismo, que seria necessário, portanto, combater e superar, quer do ponto de vista teológico, quer do ponto de vista sobretudo pastoral, em nome da pureza da fé.
Evidentemente que não ignoro os problemas pastorais que a realização das festas actualmente levanta. No entanto, persisto na convicção de que as festas religiosas católicas são fundamentais na nossa sociedade, entre outras razões, porque permitem uma certa respiração de esperança, são momentos epifânicos de abertura para o transcendente, num universo sempre mais fechado em si mesmo, como se o mundo se reduzisse àquilo de que o homem pode dispor e ter à mão.
As festas religiosas católicas são momentos de excesso de sentido, de júbilo, que se diz na celebração do mistério e na sua irradiação para a vida. Já S. Tomás de Aquino ensinava que Deus não liga a salvação aos sacramentos. Eles são momentos fundamentais na celebração do mistério da Igreja, mas não são tudo; as festas são sacramentais, ou seja, vivem deste irradiar de vida que se expande e que se transforma em cultura: pelas festas religiosas católicas passa a vivência da nossa própria identidade, mesmo como sociedade, mesmo como nação. Neste tempo crepuscular no qual assistimos a esta cultura envergonhada das suas raízes cristãs, alegadamente indiferente e laica, as festas religiosas católicas são um oásis de frescura, janelas abertas para a transcendência e para o mistério.
P. José Jacinto Ferreira de Farias
Professor na Faculdade de Teologia da UCP
in O Mensageiro, 28.08.2008
04.09.2008
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