
A iconostase da Paróquia da Entrada da Mãe de Deus no Templo
Como um filho que chega a casa dos pais. Ao entrar na igreja, os fiéis ortodoxos dirigem-se de imediato ao ícone de Cristo; detêm-se diante dele, inclinam-se até levar a mão ao chão e persignam-se na fronte e no peito, da direita para esquerda; repetem duas, três vezes, depois beijam o Senhor. A seguir encaminham os seus passos para o lado esquerdo; as mesmas inclinações de humildade e reverência, a mesma cruz e, por fim, o beijo à Mãe de Deus.
Por trás das duas imagens, a iconostase, parede revestida de ícones que separa o sagrado do profano, a nave do Santuário, o altar da assembleia. Entre estes dois mundos, três portas – ao centro, à direita e à esquerda. É por elas que os ministros sagrados passam para distribuir a Sagrada Comunhão e para incensar a assembleia. Cada porta tem um véu, que se fecha em determinados momentos para acentuar a transcendência de certos gestos litúrgicos. Assim se percebe que quando os sacerdotes saem do Santuário para distribuir o Sacramento, é como se os anjos descessem directamente do céu para oferecer o Corpo e o Sangue de Cristo.
O ícone é para os ortodoxos o céu aberto. Não um objecto decorativo, nem sequer de culto, mas a presença viva de Deus, quase um sacramento. No ícone contempla-se a incarnação de Cristo e a antecipação da humanidade transformada e glorificada na escatologia.
No altar, os sacerdotes celebram voltados para Oriente, porque de lá chegou e voltará o Salvador, na Incarnação e no final dos tempos.
À excepção da Vigília Pascal e do Natal, a Missa – ou Divina Liturgia, como é designada pelos ortodoxos – celebra-se durante a manhã.
Estamos na Paróquia da Entrada da Mãe de Deus no Templo, em Lisboa, pertencente à Igreja Ortodoxa Romena A Divina Liturgia é celebrada aos dias de semana pelas 5 da manhã, o que implica que o pároco, Padre Marius Viorel-Pop, comece o seu dia antes das quatro. A essa hora – e também às 6 da tarde, quando se rezam as Vésperas – ainda é escuro. A única claridade artificial consiste num ténue foco azul apontado para o tecto; as quatro velas na iconostase e mais duas ou três junto à mesa das leituras mergulham a capela na penumbra e convidam os fiéis à interiorização dos Mistérios que se celebram.
O templo desta comunidade, a antiga Igreja de S. Crispim, na Rua de S. Mamede, foi cedido pelo Patriarcado de Lisboa em 2001. Antes, os fiéis romenos partilhavam a Igreja de Caselas com os católicos e ortodoxos gregos (estes ainda mantêm ali, quinzenalmente, a celebração da Divina Liturgia).
As fotografias que apresentamos detêm-se na iconostase, pintada por artistas romenos residentes em Portugal ou no seu país. No nível mais próximo do solo, as imagens de Cristo e de sua Mãe, diante das quais se encontram os ícones beijados pelos fiéis; nos extremos, S. João Baptista e a Entrada da Teotócos (Mãe de Deus) no Templo; no nível seguinte, cenas da vida de Cristo, com a Última Ceia a ocupar o centro; a seguir, os Apóstolos; por fim, no topo, personagens do Antigo Testamento.
Veja a iconostase da Paróquia da Entrada da Mãe de Deus no Templo.
Aguarde alguns momentos antes do carregamento da 1.ª foto.
Agradecemos o acolhimento cordial que nos foi oferecido pelo P. Marius Viorel-Pop e por Jorge Florea.
rm
© SNPC - Publicado em 03.01.2008
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