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Cinema

A pesca do salmão no Iémen

Quem se fixe neste título, tão improvável, irá possivelmente desconfiar do conteúdo do mais recente filme de Lasse Hällstrom.

Realizador de obras tão díspares como “Vida de Cão”, “Regras da Casa” e “Shipping News”, ou “Chocolate” e “Juntos ao Luar”, Hällstrom regressa agora aos ecrãs portugueses com uma curiosa combinação de parábola e sátira social, recheada de finíssimo humor.

Alfred Jones, um muito britânico perito em pesca de salmão, leva uma vida insípida como funcionário público ao serviço direto do governo britânico e uma vida conjugal não menos desinteressante. Sofrendo de um ligeiro quadro da síndrome de Asperger, não encontra em nada do que faz correspondência com a sua enorme paixão, a que se dedica de corpo e alma.

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Um dia, porém, é desafiado pela consultora de um xeique multimilionário a juntar-se ao seu mais recente investimento. Partilhando exatamente o mesmo interesse pelo peixe mundialmente apreciado, o chefe muçulmano acalenta o sonho de importar salmão, não pescado mas por pescar, para a sua terra natal, no Iémen. Os dois acabam por entrar em acordo.

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Num contexto de tensões provocadas pela situação no Afeganistão, o governo britânico rapidamente transforma este acordo num assunto de interesse nacional, capaz de inverter a tendência dos comunicados de imprensa, que passam da gestão de questões delicadas para os índices de sucesso das relações generalizadas Reino Unido/países árabes.

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Nada nesta vasta descrição retira a simpática e divertida surpresa que é “A Pesca de Salmão no Iémen”. Obviamente assente numa ideia delirante, o filme satiriza muito bem o alcance da ideia de globalização e a (in)existência de fronteiras; o poder do dinheiro e a fidelidade aos mais genuínos e benfazejos sonhos. Pelo meio, conduz-nos por entre metáforas, saborosos diálogos e inusitadas sequências, à revelação da muita sabedoria, perseverança e fé necessárias ao cumprimento de um ideal.

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E por mais mundos e fundos revolvidos, em águas límpidas ou turvas, não deixa de ser levemente refrescante!

 

 

 

Margarida Ataíde
Equipa de Cinema do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura
In Agência Ecclesia
23.05.12

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