A arte, alma da cultura, caminho de transcendência
É necessário perguntar-se «que é o homem», quem é este homem «coroado de glória e honra», com «poder sobre as obras da criação» (Salmo 8). E como neste homem a arte não mais é uma expressão entre tantas outras mas que pertence aos fundamentos da sua própria humanidade. Não existe uma civilização sem arte e artes.
A arte é uma escola de humanidade. É necessário para que a vida não desapareça da terra, absorvida pelas coisas imediatas, pela violência cega ou pelo pensamento único. O homem, criado à «imagem e semelhança» de Deus (Génesis 1, 26), tem dificuldades em desfazer-se de tudo o que não é humano. A arte é a alma visível da cultura, e a religião converte-se em alma invisível. A cultura é beleza e sem arte torna-se muda.
A arte é comunicação, encontro, comunhão. A força da arte supera a força do conceito. As linguagens mais precisas e criadoras da realidade emergem do mundo da metáfora. Ao esgotamento das ideias e aos limites da tecnologia para explicar o mundo, segue-se o renascimento da arte e da beleza, que despertam a admiração e a contemplação.
A arte religiosa é o prolongamento da revelação de Deus e o acolhimento desta revelação por parte do homem. Quando a arte é religiosa, as formas, as imagens, as cores e os sons não se colocam ao serviço deles mesmos mas ao serviço da fé. Por este motivo é frequente a arte com motivos religiosos mas é difícil chegar à arte religiosa como tal. A arte religiosa converte-se em espaço privilegiado de diálogo entre o Deus criador e o homem criado.
Átrio dos Gentios (Barcelona)
© SNPC (trad.) |
17.04.12

Museu do Vaticano







