Visita do Vaticano ao CERN abriu novos canais de diálogo entre fé e ciência
A recente visita de uma delegação do Vaticano ao CERN - Organização Europeia para a Investigação Nuclear, um dos maiores centros de pesquisa científica do mundo - abriu um importante canal de comunicação entre a ciência e a fé, afirmou o observador permanente do Vaticano nas Nações Unidas, em Genebra, D. Silvano Tomasi.
Da delegação que a 3 de Junho visitou o maior túnel acelerador de partículas do mundo fizeram também parte o cardeal D. Giovanni Lajolo, presidente da Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano, o padre José Funes, s.j, director do Observatório da Vaticano, e o astrónomo Guy Consolmagno, s.j., também a trabalhar no Vaticano.
O director-geral do CERN, Rolf-Dieter Heuer, pretendeu que o Vaticano conhecesse o laboratório “porque quis que a visita fosse uma maneira de estabelecer um contacto com a Santa Sé”, referiu D. Tomasi.
A ideia da visita ao CERN partiu de Ugo Amaldi, presidente da Fundação TERA, que colabora intimamente com o laboratório europeu na pesquisa do tratamento do cancro, especialmente nas crianças.
Os cientistas que estudam o universo fazem muitas das perguntas que são colocadas pelos teólogos, como, por exemplo, o significado da vida, referiu D. Tomasi. Contudo, os métodos usados para responder a essas questões são radicalmente diferentes, colocando-os em “dois mundos completamente diferentes”, acrescentou o prelado. “Não há hostilidade entre os dois, mas é necessário conversar acima desta fronteira e ver como o conhecimento humano pode avançar.”
Na declaração que abriu uma mesa redonda sobre o diálogo entre fé e ciência, que ocorreu a 3 de Junho, D. Lajolo declarou que as verdades científicas e teológicas nunca se podem contradizer, dado que ambas “derivam da mesma fonte, que é Deus”. O cardeal citou S. Roberto Belarmino, o Doutor da Igreja que se envolveu na investigação de Galileu Galilei. Se uma declaração científica é evidentemente verdadeira e não se encontra em absoluta conformidade com a Bíblia, é necessário investigar “como é que a Escritura pode ser correctamente interpretada para não contradizer a verdade científica”. Para D. Lajolo, esta afirmação continua aplicar-se hoje na relação com os factos científicos.
A Igreja Católica defende a razão e a verdade, e é por isso que ela “reconheceu mais tarde a tese científica defendida por Galileu e o erro cometido na sua condenação”, acrescentou o responsável do Vaticano.
Em relação à visita, D. Tomasi declarou que “foi estabelecido um bom canal de comunicação” com o CERN e os seus cientistas, incluindo os que não acreditam em nenhuma religião.
O director da organização europeia foi convidado a visitar o Vaticano, mas ainda não foi estabelecida uma data para o encontro.
Espera-se que o túnel acelerador de partículas volte a trabalhar em Setembro, depois dos problemas ocorridos durante os primeiros testes, realizados no último Outono.
Carol Glatz
In CNS
© SNPC (trad.) |
11.06.09







