Vemos, ouvimos e lemos
Paisagens
Pedras angulares A teologia visual da belezaQuem somosIgreja e CulturaPastoral da Cultura em movimentoImpressão digitalVemos, ouvimos e lemosConcílio Vaticano II - 50 anosBrevesAgenda VídeosLigaçõesArquivo

Sondagem

Catolicismo e "outras identidades religiosas em Portugal": coordenador do estudo propõe interpretação dos resultados

Alfredo Teixeira, coordenador e relator do estudo “Identidades religiosas em Portugal: representações, valores e práticas”, cujos quadros e gráficos foram publicados pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura publicou, propõe um interpretação resumida dos dados, que apresentamos seguidamente.

O estudo, conduzido pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião e pelo Centro de Estudos de Religiões e Culturas, da Universidade Católica Portuguesa, foi patrocinado pela Conferência Episcopal Portuguesa.

 

Posições religiosas

Pode observar-se um decréscimo relativo da população que se declara católica e um incremento da percentagem relativa às outras posições de pertença religiosa, com um particular destaque para o universo protestante (incluindo os evangélicos).

Imagem

 

No universo dos que não têm religião, todas as categorias apresentam entre 1999 e 2011 um acréscimo percentual: indiferente, 1,7% < 3,2%; agnóstico, 1,7% < 2,2%; ateu, 2,7% < 4,1%; crente sem religião, 2,1% < 4,6%.
Globalmente, o crescimento relativo dos sem religião em relação ao número de católicos é mais pronunciado do que o crescimento do número dos pertencentes a outras denominações religiosas. Isto é particularmente relevante no caso da categoria «crentes sem religião». Noutros momentos do estudo, identificaram-se dados que permitem perseguir a hipótese de existência de uma correlação entre o crescimento desta posição e a diminuição percentual dos católicos. Esta categoria poderá reunir as identidades crentes de carácter mais difuso, mas também uma periferia, antes católica, cujos laços de pertença eram já muito ténues.

Imagem

 

Quanto às razões para não ter religião, destacam-se três tópicos: autonomia, convicção e desinteresse. A autonomia face às religiões é o traço mais saliente se juntarmos os que sublinham proposições como: «Não concordo com a doutrina de nenhuma Igreja ou religião» (em 32,7% dos casos), «Não concordo com as regras morais das Igrejas e religiões» (22,2%), e «Prefere ser independente face às normas e práticas de uma religião» (21,1%). A não-pertença religiosa exprime-se também como convicção em 33,2% dos casos, e como resultado de desinteresse (21,7%). Os acontecimentos fraturantes ou o juízo sobre a exemplaridade dos crentes têm uma menor relevância estatística.

Imagem

 

A geografia das identidades

O conjunto constituído pelos não crentes concentra-se na região de Lisboa e Vale do Tejo – mais de metade desta população (55,2%) encontra-se nesta região. Observação semelhante se pode fazer em relação ao conjunto constituído por protestantes. Neste caso, a região reúne 62,2% dos inquiridos pertencentes a uma denominação protestante (incluindo evangélicos). Reúne ainda 51% dos membros das Testemunhas de Jeová e 61,5% dos pertencentes a outras religiões. Também nessa região se encontra o número mais elevado de outros cristãos (47,2%) e de crentes sem religião (43,5%), mas sem ultrapassar, como nos casos anteriores, o limiar dos 50%. Estamos perante a região que apresenta uma mais aprofundada diversidade quanto à pertença ou não-pertença religiosa. A região norte destaca-se pelo facto de contribuir com o maior número de católicos para o total da amostra – 43,6 % dos católicos estão nesta região.

Imagem

 

Se se observar a variável «dimensão da localidade», tendo em conta a caracterização demográfica mais genérica – urbana, semiurbana e rural –, obtemos uma outra geografia das identidades religiosas. Observe-se que a identidade católica é única em que há uma preponderância da tipologia «rural». Se os católicos são 80% do total da população inquirida, a sua posição relativa muda substancialmente se temos como universo os inquiridos que residem numa localidade de dimensão urbana – 66,6%. Na composição da população que constitui cada uma das outras identidades, o conjunto dos que habitam em localidades de tipologia rural constitui sempre a minoria. A população pertencente a outras denominações religiosas é sobretudo urbana e semiurbana. O mesmo se diga dos não crentes ou crentes sem religião.

Imagem

 

Práticas e estilos de vida

A larga maioria da população tem uma relação estável com o território quanto ao domicílio. Se estratificarmos a informação por classe de posição religiosa obtemos diferenciações significativas. Observe-se que os católicos e os membros das Testemunhas de Jeová são os conjuntos em que os que «vivem aqui há mais de 10 anos» têm uma preponderância mais vincada. Os pertencentes a outras denominações religiosas apresentam frequências mais pronunciadas na resposta «entre 2 a 10 anos», dando conta de um itinerário de inscrição local menos prolongado no tempo – a que não serão estranhos os efeitos sociais próprios das mobilidades migratórias.

Imagem

 

Estando uma parte das práticas que objetivam a pertença religiosa ligadas ao fim de semana, importa caracterizar os comportamentos mais salientes.

As práticas ligadas às sociabilidades domésticas estão entre as mais representadas. Quando questionados acerca das práticas de fim de semana, ganham um destacado relevo aquelas que se deixam descrever como permanência no espaço doméstico, como forma de descanso. Os católicos, em 18,8% dos casos, foram trabalhar no fim de semana anterior à inquirição – trata-se da classe de posição religiosa em que, percentualmente, menos trabalharam no fim de semana. Neste conjunto, o número relativamente mais elevado corresponde aos que «ficaram em casa a descansar» - 41,6%.

Nos conjuntos constituídos pelos crentes sem religião, pelos outros cristãos e pelos pertencentes a outras religiões, há proporcionalmente, quando comparados com os católicos, uma presença mais significativa de respondentes que foram trabalhar no fim de semana.

É possível verificar que as posições religiosas, sobretudo a partir da fronteira que separa os pertencentes ou não pertencentes a uma religião, está articulada a práticas de fim de semana bastante diferenciadas, sinalizando estilos de vida distintos.

Verifique-se a diversidade de práticas culturais, fora do espaço doméstico, que caracterizam o perfil do que não pertence a uma religião. Sublinhe-se a prevalência de práticas domésticas entre os que se apresentam como pertencentes a uma religião.

Imagem

Imagem

 

Detenhamo-nos sobre os dados relativos aos que, no fim de semana anterior à inquirição «foram à missa ou a um ato religioso». Coloque-se de parte o grupo dos que não pertencem a uma religião, universo em que a presença num ato de culto estará ligada, preponderantemente, a alguma prática social episódica. Se nos centrarmos nos que declaram pertencer a uma religião, a prática cultual no último fim-de-semana, em relação ao momento da inquirição, apresenta-se assim, por ordem decrescente: protestantes (inclui evangélicos), 23,6% dos casos; católicos, 17,2%, Testemunhas de Jeová, 15, 2%; outros cristãos, 12,9%; não há rasto de respostas positivas, neste item, por parte dos pertencentes a outras religiões.

 

Quando à presença do religioso nas interlocuções quotidianas, o grupo mais representado não falou no último mês sobre assuntos e temas religiosos (49,4% dos casos). Se nos detivermos no conjunto dos respondentes que dizem ter falado de assuntos ou temas religiosos, descobre-se que a família é a sede da maior percentagem de casos (36,8%), logo seguida do círculo de amigos (19,5%). Pode pois avançar-se a hipótese que este âmbito de interlocução se circunscreve preferencialmente a zonas sociais de maior intimidade, sendo mais raro que a religião seja tema de conversa noutros circuitos sociais, como o trabalho ou as relações de vizinhança.

Imagem

 

As práticas orantes podem ser vistas como um dos comportamentos religiosos mais persistentes. Se juntarmos os que dizem rezar todos os dias e os que rezam irregularmente alguns dias da semana, obtemos o total de 59,7%. Quando às formas de sociabilidade, esta prática descreve-se, como sendo preponderantemente individual. Quando às modalidades, a recitação de formas aprendidas (em 54,5% dos casos) e a prática livre e espontânea (40,4%) convivem, promovendo uma aproximação entre formas tradicionais e modalidades mais moldáveis pelo indivíduo. Quando ao género, a oração de súplica por si (em 51,1% dos casos) e pelos outros (52,1%), reúnem as frequências mais elevadas. Encontra-se um importante vestígio de associação das práticas de oração aos ideais de bem-estar interior (15%), mas são ainda pouco importantes, estatisticamente, as práticas que podem ser descritas como culturalmente exógenas – serve de exemplo a frequência relativa à «meditação de tipo oriental» (1,5%).

Imagem

Imagem

Imagem

 

Quanto aos atos de culto, o inquérito permite uma aproximação, por duas vias: a participação nas igrejas ou templos e a assistência pela televisão/rádio. A participação semanal em atos de culto nos templos descreve 23,4% da população inquirida. Mas se somarmos a estes os 14% que participa uma e duas vezes, e os 8,3% que participam mais do que uma vez por semana, podemos dizer que 45,7% dos inquiridos mantém uma relação de proximidade com os atos de culto. Este número percentual deve ser comparado, com a frequência relativa aos que respondem nunca, ou quase nunca, participar em atos de culto nos templos – 28,2%.

Imagem

 

Globalmente, pode afirmar-se que os comportamentos relativos à assistência a atos de culto, transmitidos pela televisão, têm, comparativa e globalmente, frequências mais baixas: 18,8% diz assistir uma vez por semana, mas 55,4% responde «nunca ou quase nunca».

Imagem

 

A rádio é ainda um contexto de maior rarefação quando à assistência a atos de culto: 79,8% diz nunca, ou quase nunca, assistir.

Imagem

 

Identidade e biografia crente

O inquérito revela que mais de 3/4 da população desta amostra se apresenta estável quando à pertença religiosa.

Imagem

 

Tendo em consideração o universo dos que afirmam ter experimentado uma mudança de posição religiosa, pode observar-se que as mudanças traduzem-se numa escala de variação decrescente, quanto à sua preponderância estatística, desde a alteração quanto à forma de objetivar a pertença religiosa (Deixei de ser praticante 45,2%), passando pela desvinculação religiosa (Deixei de estar ligado a qualquer religião 24,1 %), outras situações (17,4%), abandono do catolicismo e adesão a outra comunidade religiosa (10,7), por último, a adesão à Igreja Católica (2,7).

Imagem

 

O quadro seguinte mostra uma forte presença dos indícios de uma socialização católica na sociedade portuguesa, numa ordem decrescente, do Batismo ao Crisma. Ou seja, ao reconhecimento de uma forte presença dos dispositivos de socialização primária, deve acrescentar-se a evidência de que a participação em ritos identificadores diminuiu ao longo da adolescência até à idade dos jovens adultos. A prática do matrimónio católico, articulada a outras funções sociais, deve ter uma leitura diferente, uma vez que não deve ser lida no quadro dos dinamismos de socialização primária (esta curva tem um movimento similar se isolarmos os católicos que constituem a amostra).

Imagem

 

Atenda-se ainda ao facto de que, em 82,5% dos casos, os filhos foram batizados ainda bebés.

Imagem

 

A instrução religiosa infantil continua a marcar maioritariamente os processos de socialização. Note-se que só 16,1 dos casos correspondem a respostas negativas à pergunta «os seus filhos tiveram instrução religiosa?». A disponibilidade familiar para a instrução religiosa tem, globalmente, uma ampla representação, sendo privilegiados os dispositivos especializados, como a catequese (em 69,6% dos casos). Se esta opção é particularmente relevante entre os católicos (em 76,5% dos casos), não deixa de ter relevância estatística na população que não pertence a qualquer religião – 24,9% dos casos entre os não crentes, 37,5% entre os crentes sem religião. Em todas as outras posições de pertença religiosa, a instrução é uma responsabilidade prioritariamente familiar.

Imagem

 

A observação dos efeitos que a variável «sexo» introduz na caracterização da amostra por classes de posição religiosa permite concluir que a atitude de não filiação religiosa é preponderantemente masculina – os não crentes constituem mesmo o conjunto mais masculinizado. Este perfil tem uma expressão acentuada também entre os crentes de outras religiões – podemos colocar a hipótese de que, neste caso, a sobre-representação masculina se poderá dever aos efeitos da imigração, situação em que, com frequência, a mobilidade é protagonizada, num primeiro tempo, pelos homens da família. Nas outras classes de pertença religiosa a população masculina e feminina reparte-se com equilíbrio – dentro deste universo, os católicos apresentam-se como o subconjunto mais feminizado.

Imagem

 

O quadro seguinte permite duas leituras: uma horizontal (% posição religiosa), onde se lê o peso de cada escalão etário no universo de cada posição religiosa; outra vertical (% escalão etário), onde se pode ver a distribuição das diversas posições religiosas em cada escalão etário. A observação dos dados relativos às posições religiosas por escalões etários (leitura horizontal) permite identificar que os «sem religião» se apresentam com a distribuição etária mais jovem. Entre os católicos há uma grande distribuição pelos diversos escalões etários. Embora seja a única posição religiosa em que há uma proporção mais elevada da classe etária dos mais velhos.

Imagem

Imagem

 

Praticantes e não praticantes

A pergunta acerca da prática religiosa, recorrendo ao método da autoclassificação, revela que os crentes pertencentes a uma religião tendem, preponderantemente, a autorrepresentar-se como praticantes. Em todas as classes de pertença religiosa essa tendência se pronuncia. Com mais expressão entre os protestantes (84,4%), as testemunhas de Jeová (75%) e os pertencentes a religiões não cristãs (80,8%). Este fenómeno apresenta, assim, uma correlação com o carácter minoritário das identidades. A exceção é constituída pelos outros cristãos (59,6% de praticantes), com um perfil mais próximo da identidade católica. Mas aí o número mais elevado de autoclassificados não-praticantes (40,4%) deverá contar com os efeitos próprios das situações de imigração que, com frequência, introduz particulares dificuldades na organização de uma prática religiosa – em alguns casos ela pode não ter condições materiais de concretização. É na geografia católica que as percentagens dos que se autoclassificam como praticantes e não-praticantes mais se aproximam, mesmo se se mantém a preponderância dos praticantes (56,1%).

Imagem

 

As representações relativas à autorrepresentação «praticante» distribuem-se preponderantemente por dois tópicos: «Educação e tradição familiar» (74,9% dos casos) e «crença/fé pessoal» (60,3%). Tal como noutras regiões de informação, a identidade religiosa exprime-se sob as formas mais tradicionais de manutenção de uma linhagem familiar ou de recomposição de uma disposição de lealdade face a uma socialização religiosa primária; mas esta via tradicional convive com as formas de expressão que sublinham as dimensões de convicção pessoal, mais próximas de uma cultura de afirmação do self.

 

Indícios comparáveis podem descobrir-se nas respostas relativas às razões pelas quais alguém, declarando-se pertencente a uma religião, é «não praticante». A resposta mais sublinhada (em 35,4% dos casos) é de ordem pragmática - «falta de tempo». A estas razões de ordem prática, podem juntar-se as limitações de ordem física – particularmente importantes num contexto de envelhecimento populacional (em 5,4% dos casos). A «falta de tempo» é imediatamente seguida de uma outra saliência - «entende que pode ter a sua fé sem prática religiosa» (33,3%)-, o que traduz a preponderância de uma certa disjunção entre «crença/fé» e a «prática» que a pode objetivar. Esse intervalo permite margens mais amplas de recomposição individual das próprias representações religiosas e favorece o distanciamento individual e familiar dos contextos institucionais de regulação do campo religioso. Mas esta autonomia não implica necessariamente uma rutura com a tradição religiosa em que se foi socializado. Deve sublinhar-se ainda que em apenas 2,5% dos casos a desvinculação da «prática» se deve a razões de disciplina normativa – ou seja, exclusão em razão das normas que regulam as expressões da pertença a uma tradição ou comunidade religiosa. Mais relevantes são as razões decorrentes da apreciação que se faz dos protagonistas do campo religioso - «não quer ir à igreja ou templo por causa do padre, pastor ou responsável» (6,9%).

Imagem

Imagem

 

A identidade católica segundo a prática

Tendo em conta o universo dos católicos, a pergunta relativa à frequência com que se vai à missa permitiu construir um retrato social dos comportamentos para além da categoria «praticante», como autoclassificação. O questionário permitiu detetar uma diversidade que não se deixa descrever pela simples disjunção praticante/não-praticante.

Imagem

 

Para se encontrar um modelo, que desse conta da diversidade dos comportamentos, construiu-se o seguinte quadro categorial.

Imagem

Imagem

 

Observando os dados a partir deste quadro categorial, descobre-se uma grande diversificação de comportamentos. O grupo mais numeroso é constituído pelos praticantes ocasionais (25,2%), mas logo seguido dos observantes (23,6%). Note-se que o grupo percentualmente menos representativo é o dos nominais (10,3%). Entre os que se descrevem com alguma prática objetivável, os militantes são o grupo menos numeroso (11%). Se tomarmos como mínimo denominador comum, para a definição genérica do «católico praticante», a frequência do culto dominical pelo menos uma vez por mês – opção frequente em diversos contextos de investigação acerca da «prática» nas Igrejas cristãs, na Europa –, obter-se-ia a taxa de 49,1% (no caso de termos como referência o universo dos que se declaram católicos nesta amostra), e 38,4% em relação ao total da população inquirida.

 

A sociografia do catolicismo português tem mostrado diferenças assinaláveis quanto à distribuição geográfica da prática católica. O presente instrumento de inquirição foi, também sensível a esta diferenciação. Observe-se a distribuição das tipologias de católicos, segundo a prática, por regiões (NUTS II, continente). Se colocarmos os dados num quadro sinóptico, verificamos que há uma grande homogeneidade no Norte e no Centro. Lisboa e Vale do Tejo, distingue-se por um aumento da proporção dos nominais e ocasionais, maior, em termos relativos, do que no Alentejo. Esta tendência agrava-se no Algarve, região onde encontramos a menor proporção do conjunto formado pelos regulares, observantes e militantes. Importa sublinhar que a proporção dos militantes, nas cinco regiões, varia entre os 12,2% e os 9%, uma variação pequena quando comparada com a que afeta as outras classes de católicos segundo a prática. Importa, pois, sublinhar que a proporção de católicos mais ativos, em cada subconjunto regional, é muito semelhante.

Imagem

 

Crenças, atitudes e valores

Para se construir uma aproximação às representações que descrevem o lugar das crenças religiosas no sistema de valores dos respondentes, perguntou-se: «Acha que a sua crença religiosa faz com que se sinta diferente dos outros a respeito de...». As autorrepresentações relativas aos efeitos da crença religiosa na vida dos indivíduos inquiridos têm um grau elevado de distribuição. Quanto às preponderâncias, sublinhem-se as proposições que exprimem a religião enquanto sentido de orientação pessoal, bem como as relativas à moral humanitária ou aos valores altruístas. As proposições relativas ao senso cívico-político apresentam frequências baixas.

Imagem

 

O inquérito permitiu aferir a perceção que a população tem do papel da Igreja Católica na sociedade portuguesa. Seguindo o método de análise de estereótipos experimentado pela equipa coordenada por Roland Campiche, na investigação sobre a identidade religiosa na Suíça, colocou-se cada respondente – com uma escala de concordância – perante um conjunto de proposições, que poderão ser lias como estereótipos, positivos ou negativos, acerca das funções sociais da Igreja Católica. Como se pode observar, nos quadros seguintes, as proposições positivas sobre a Igreja Católica reúnem tendencialmente uma ampla concordância – particularmente legível se se agregarem os dois graus de concordância da escala disponibilizada. Inversamente, a discordância é preponderante quando aos estereótipos negativos.

Imagem

 

A atitude face ao futuro do país descreve-se preponderantemente sob a figura da preocupação e da inquietação (globalmente, 63,5%). Mas a posição religiosa introduz algumas diferenciações relevantes. Em termos relativos, a atitude de esperança e confiança está mais representada entre os que se classificam como pertencentes a uma religião – ela é mesmo a mais cotada entre os protestantes e evangélicos. A atitude de indiferença está globalmente pouco representada na amostra (2,8%). Mas é particularmente saliente entre os membros das Testemunhas de Jeová (19,6%) – atitude decorrente, porventura, da apocalíptica que descreve o seu universo crente. Se excluirmos estes, os não crentes (6,7%) e os outros cristãos (6,4%) apresentam-se como o conjunto onde o grupo dos indiferentes em relação ao futuro do país tem uma maior proporção.

Imagem

 

Alfredo Teixeira
Centro de Estudos de Religiões e Culturas, Universidade Católica Portuguesa
© SNPC | 01.07.12

Redes sociais, e-mail, imprimir

Foto
Charles O'Rear/Corbis

 

Ligações e contactos

 

 

Página anteriorTopo da página

 


 

Subscreva

 


 

 


 

 

Secções do site


 

Procurar e encontrar


 

 

Página anteriorTopo da página

 

 

 

2011: Eurico Carrapatoso. Conheça os distinguidos das edições anteriores.
Leia a última edição do Observatório da Cultura e os números anteriores.