Música
Estreia moderna do "Te Deum" de António Leal Moreira revive tradição de ação de graças a Deus pelo ano findo
A tradição de cantar o "Te Deum" no dia 31 de Dezembro, como ação de graças pelo ano que passou, deu origem a uma das cerimónias litúrgico-musicais mais importantes da Lisboa setecentista.
Foi na tentativa de recuperar este hábito que em 2011 foi apresentado na igreja de São Roque, em Lisboa, um dos três "Te Deum" compostos por Sousa Carvalho.
Este ano o mesmo cenário prepara-se para acolher, pelas 17h00, a obra homónima de António Leal Moreira, composta em 1786, de idêntico cariz festivo, para dois coros, oito solistas e orquestra, em primeira audição moderna.
Coube ao maestro Jorge Matta resgatá-la das estantes da Biblioteca Nacional, em formato manuscrito. E foi ele quem, ao longo de um ano inteiro, trabalhou afincadamente na sua edição.
«Felizmente, o manuscrito era muito claro. Mas, como acontece com todos os manuscritos, é falível, contém erros que é necessário rever e emendar de forma coerente e musicalmente correta. Essa é a grande dificuldade, pois em obras deste tipo, que não são tocadas desde o tempo em que foram compostas, não há qualquer referência e há que partir do zero», diz o maestro, não escondendo a satisfação por ver essa mesma obra, na qual se debruçou compasso a compasso, a ser levada ao palco.
António Leal Moreira, nascido em Abrantes em 1758, «foi um dos compositores mais conhecidos da segunda metade do século XVIII, que morreu no dealbar do século XIX. Por esta razão a sua música tem feições clássicas mas está imbuída de harmonias pré-românticas», esclarece Jorge Matta.
Recordado sobretudo pelas suas óperas, Leal Moreira foi discípulo de João de Sousa Carvalho no Seminário da Patriarcal de Lisboa, era cunhado de Marcos de Portugal – de quem este ano decorre o aniversário dos 250 anos do nascimento – e foi o primeiro diretor do novo Teatro de São Carlos, em 1793.
Jorge Matta, que tal como há um ano é responsável pela direcção do coro e da orquestra Gulbenkian, revela ainda alguns aspetos do concerto: «Vamos separar os dois coros, cada um ocupará um dos lados da nave, com a orquestra à frente. Isto vai permitir um efeito antifonal de diálogo, muito importante em obras deste tipo, que exigem essa noção espacial».
O resultado do renascimento da antiga tradição, inetrpretado pelo Coro e Orquestra Gulbenkian, pode ser apreciado em direto pela RTP-2, que transmite a estreia em direto.
Fundação Calouste Gulbenkian / SNPC
26.11.12

jan Van Eyck







