Jornada da Pastoral da Cultura
A Fraternidade em Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI
A verdadeira paz deve ser fundamentada sobre a justiça, sobre o sentido da intangível dignidade humana, sobre o reconhecimento de uma inalienável e feliz igualdade entre os homens, sobre o dogma fundamental da fraternidade humana, isto é, do respeito, do amor devido a cada homem, porque é homem. Emerge com ímpeto a palavra vitoriosa: porque é irmão. Meu irmão, nosso irmão.
Esta consciência da fraternidade humana universal, felizmente, também progride no nosso mundo, pelo menos em linha de princípio. Quem trabalha para levar as novas gerações a convencerem-se que todos os homens são nossos irmãos, constrói o edifício da paz desde os alicerces. Quem introduz, na opinião pública, o sentimento de fraternidade humana sem barreiras, prepara dias melhores para o mundo. (…) Porque onde a fraternidade entre os homens é desconhecida na raiz, a paz também é destruída nas suas raízes. (…)
A nossa certeza, na palavra divina de Cristo Mestre, que a eternizou no seu Evangelho: « vós sois todos irmãos » (Mt 23, 8). Também podemos oferecer o conforto da possibilidade de aplicação (porque, na realidade prática, como é difícil sermos verdadeiramente irmãos para com todos os homens! ); podemo-lo fazer recorrendo, como regra prática e normal de ação, a outro ensinamento fundamental de Cristo: « o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque esta é a Lei e os Profetas » (Mt 7, 12). Os Filósofos e os Santos, quanto meditaram sobre esta máxima, que insere a universalidade da norma de fraternidade na ação particular e concreta da moralidade social! E, também, estamos em condições de apresentar o argumento supremo: o da Paternidade divina, comum a todos os homens, proclamada a todos os crentes. Uma verdadeira fraternidade entre os homens, para ser autêntica e obrigante, supõe e exige uma Paternidade transcendente e repleta de amor metafísico, de caridade sobrenatural. Podemos ensinar a fraternidade humana, isto é, a paz, ensinando a reconhecer, a amar e a invocar o Pai Nosso, que está nos céus. Sabemos que, se primeiro, não removermos, nós próprios, os obstáculos à reconciliação com o homem irmão, encontraremos a entrada do altar de Deus fechada (Cf. Mt 5; 23 ss.; 6, 14-15 ). E sabemos que, se formos promotores da paz, então, poderemos ser chamados filhos de Deus e estar entre aqueles que o Evangelho chama Bem-aventurados (Cf. Mt 5, 9 ).
Que força, que fecundidade e confiança a religião cristã confere à equação fraternidade e paz. E que alegria para nós, encontrarmos, na coincidência dos termos deste binómio, o cruzamento dos caminhos da nossa fé com os das esperanças humanas e civis.
Paulo VI
Mensagem para o Dia Mundial da Paz 1971
Celebrando aqui, sob a invocação de Pentecostes (…), a Eucaristia que é sacramento da unidade e da fraternidade dos discípulos de Cristo mas que é também germe de unidade e fraternidade no mundo, eu quero fazer um pedido a vós e um pedido por vós.
Por vós eu peço a Deus com o maior fervor, que não venha nunca a arrefecer mas antes se alente e cresça a profunda integração racial que existe entre vós. Que nesta fraternidade entre os vários povos não falte uma especial solidariedade com vossos irmãos indígenas. Que haja ainda entre vós abertura para acolher muitos outros grupos humanos necessitados de uma nova pátria porque privados das suas.
João Paulo II
Viagem ao Brasil, 1980
Graças ao dom do Espírito Santo, o mundo dos homens torna-se «spatium verae fraternitatis», espaço de uma verdadeira fraternidade (cf. Gaudium et spes, 37). Essa transformação do agir do homem e das relações sociais exprime-se na vida eclesial, no empenho nas realidades temporais e no diálogo com todos os homens de boa vontade. Este testemunho torna-se sinal profético e princípio de fermentação da história rumo ao advento do Reino, na superação de tudo aquilo que impede a comunhão entre os homens.
João Paulo II
Audiência geral, 1998
João Paulo II
Carta por ocasião do 4.º Congresso Diocesano de Perúsia, Itália, 1999
A fraternidade cristã nasce do facto de sermos constituídos filhos do mesmo Pai pelo Espírito de verdade: "De facto, todos os que se deixam guiar pelo Espírito, esses é que são filhos de Deus" (Rm 8, 14).
Bento XVI
Audiência geral, 2006
Agora devemos dirigir a nossa atenção ao Evangelho que narra a cura de um surdo-mudo realizada por Jesus. Também ali encontramos de novo os dois aspetos do único tema. Jesus dedica-se aos que sofrem, a quantos são postos na margem da sociedade. Cura-os e, proporcionando-lhes assim a possibilidade de viver e decidir juntos, introdu-los na igualdade e na fraternidade. Isto diz respeito obviamente a todos nós: Jesus indica-nos a direção do nosso agir.
Bento XVI
Viagem à Alemanha, 2006
Ao constatar o avanço da violência e a aparição do egoísmo em África, o Cardeal Bernardin Gantin, de venerada memória, fazia apelo, desde 1988, a uma Teologia da Fraternidade, como resposta aos prementes apelos dos pobres e dos humildes (cf. L’Osservatore Romano, ed. Francesa de 12 de abril de 1988, pp. 4-5). Na memória, tinha talvez aquilo que escrevia o africano Lactâncio ao alvorecer do século IV: «O primeiro dever da justiça é reconhecer o homem como um irmão. De facto, se o mesmo Deus nos fez e nos gerou a todos na mesma condição, que aponta para a justiça e a vida eterna, estamos seguramente unidos por laços de fraternidade: quem não os reconhece, é injusto».
Bento XVI
Viagem aos Camarões, 2009
Sim, agora Ele também é o primeiro duma série de irmãos, isto é, o primeiro que inaugura para nós a vida em comunhão com Deus. Cria a verdadeira fraternidade: não a fraternidade, deturpada pelo pecado, de Caim e Abel, de Rómulo e Remo, mas a fraternidade nova na qual somos a própria família de Deus. Esta nova família de Deus começa no momento em que Maria envolve o «primogénito» em faixas e O reclina na manjedoura. Supliquemos-Lhe: Senhor Jesus, Vós que quisestes nascer como o primeiro de muitos irmãos, dai-nos a verdadeira fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a Vós. Ajudai-nos a reconhecer no outro que tem necessidade de mim, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs para nos tornarmos uma família, a vossa família.
Bento XVI
Missa da noite de Natal, 2010
Pôr-se em atitude de oração significa também abrir-se à fraternidade. Só no «nós» podemos recitar o Pai-Nosso. Por isso abramo-nos à fraternidade, que deriva do facto de sermos filhos do único Pai celeste e estarmos dispostos ao perdão e à reconciliação.
Bento XVI
Audiência geral, 2011
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10.06.11




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