Arte e pensamento
Teatro Nacional São João leva a "Alma" a palco e a debate
O Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, apresenta em março e abril o auto “Alma”, de Gil Vicente, a que associa dois colóquios intitulados “Estados d’alma”, com a presença de personalidades da sociedade e catolicismo portugueses.
A primeira conferência, que decorre a 17 de março, conta com a participação do bispo do Porto e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, bem como de Alberto Pimenta, José A. Cardoso Bernardes e Nuno Carinhas, com moderação de Isabel Morujão.
O ciclo, que decorre às 16h00 e tem entrada gratuita, conclui-se a 24 de março com Clara Pinto Correia, Fátima Sarsfield Cabral e Frei Bento Domingues, moderados por Daniel Jonas.
«Instalados no proscénio do São João, (...) convidados de várias ciências e procedências ajudam-nos a descodificar o genoma desta “Alma” tão irrecusavelmente portuguesa, mas também (ou precisamente por isso) tão universal», aponta o site do Teatro.
«D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, para quem Gil Vicente é “um humanista de primeira e primeiramente um humanista”; o escritor, poeta e “performer” Alberto Pimenta, herdeiro, talvez, da mordacidade e irreverência vicentinas; o investigador José Augusto Cardoso Bernardes, que viu no “Auto da Alma” ‘a moldura doutrinal de toda a “Compilaçam de Todalas Obras”; o Diretor Artístico do TNSJ, Nuno Carinhas, que encenara já, em 2009, “Breve Sumário da História de Deus”; a escritora e bióloga Clara Pinto Correia, cuja investigação científica a conduziu ao estudo do conceito de alma em várias épocas históricas; a psicanalista Fátima Sarsfield Cabral, que inquirirá a transformação de uma abstração que caminha em “persona”; e Frei Bento Domingues, um dos nossos teólogos mais atentos ao rumo do mundo contemporâneo, ao papel da cultura e ao perene mistério de existir.»
O auto “Alma”, encenado por Nuno Carinhas, vai ser representado de 9 de março a 1 de abril e de 12 a 28 de abril, de quarta-feira a sábado às 21h30 e aos domingos pelas 16h00.
«“A thing of beauty is a joy forever”. Foi com este verso de John Keats – “Uma coisa bela é uma alegria que dura para sempre” – que o tradutor inglês do “Auto da Alma”, Aubrey Bell, descreveu há quase cem anos aquele que é considerado o cume do drama litúrgico português e uma das mais perfeitas realizações da arte medieval», assinala o TNSJ.
«Um auto escrito entre a composição da “Barca do Inferno” e da “Barca do Purgatório”, que ao contrário destas não situa a ação no território “post mortem”, mas recria a ancestral metáfora da vida como peregrinação – um caminho de provação, mudança, descoberta. Com os seus diabos, anjos, doutores da Igreja e uma “Alma caminheira” que é, a um tempo, alegoria de todas as almas e expressão dramática de um caráter individual, “Alma” questiona, com rara força interpeladora, a natureza humana, a sua liberdade e o seu destino último, a sua inscrição no tempo e a sua demanda de eternidade. Uma obra imensamente divina, logo, profundamente humana, daquele que Teixeira de Pascoaes chamou “o mais Anjo e o mais Demónio de todos os poetas portugueses”.»

Fotografias do Teatro Nacional São João: Luís Pavão
© SNPC |
09.03.12

Teatro Nacional São João

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