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Cinema

"A última estação": os derradeiros anos de Tolstoi

A comemorar e homenagear Lev Tolstoi, no centenário da sua morte (a 20 de novembro passado) , a distribuidora Alambique estreia a 9 de dezembro “A Última Estação”.

Filme que reflete os últimos anos da vida do grande escritor e pensador russo, a obra de Michel Hoffman interessa-se particularmente pela disputa do seu legado, opondo a amada mulher de Lev (Leo ou Leão), Sofia Tolstoi, ao seu grande amigo e companheiro de movimento Vladimir Chertkov. Em causa, a passagem dos direitos para a família ou para o movimento tolstoiano, também eles duas das mais magníficas obras de Tolstoi...

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Da propriedade de Iasnaia Poliana, onde Tolstoi nasceu e veio a criar uma verdadeira comunidade de camponeses vivendo sob a sua nova moral – baseada na doutrina cristã mas distante de qualquer Igreja de então – à remota aldeola de Astapovo, onde acabará por morrer, o filme debate-se de princípios e razões sobre o mais justo destino do seu pensamento. Por deste mesmo se tratar, subjacente à disputa, uma outra questão surge no filme, infelizmente não com o aprofundamento merecido, que é afinal a essência da vida e labuta do autor de “Guerra e Paz”, “Infância, Adolescência e Juventude” ou “Anna Karenina”: a do amor, como princípio e fim de todas as coisas e relações.

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Além da boa direção fotográfica, o filme conta com um fenomenal elenco, que inclui a reconhecida e premiadíssima Helen Mirren, no papel de Sofia (mais recentemente galardoada pela sua prestação magnífica e simultânea como Isabel II e I de Inglaterra em, respetivamente, cinema e série TV), Christopher Plummer, Paul Giamatti e James McAvoy.

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O argumento, bem estruturado, é gerido com eficácia quer pelos atores, quer pela realização adequada de Michael Hoffman. O seu único problema, a maior fragilidade de “Última Estação”, é não chegar à profundidade que o seu sujeito/objeto pediria.

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Acompanhar uma faceta da vida de Tolstoi, ainda que apenas numa faceta e com toda a evidente correção que pautou a conceção do filme – de técnica a conteúdo – não pode evitar na maioria dos espetadores já familiarizados com a sua obra, uma certa sensação de superficialidade, com uma carga dramática a sobrepôr-se a um aprofundamento, insuficiente, das suas premissas.

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O título do filme faz referência ao local onde Tolstoi morreu, a estação de caminho de ferro de Astapovo.

 

 

 

Margarida Ataíde
© SNPC | 22.11.10

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