Exposição
Ourives de Guimarães: Ao serviço de Deus e dos Homens
Esta exposição é constituída por 97 peças de prata executadas em Guimarães nos séculos XVIII e XIX, que pela primeira vez se reúnem num mesmo espaço.
Pertencem a igrejas, museus, casas-museu, fundações, misericórdias, famílias, colecionadores e antiquários, e, em condições habituais, encontram-se dispersas desde o Alto Trás-os-Montes ao Baixo Alentejo. A maior parte não está normalmente acessível ao público.
A exposição compreende duas secções. Na primeira, “O Luxo Sagrado”, apresentam-se as alfaias de carácter religioso; na segunda,” Intimidade e Requinte,” as pratas de uso doméstico. Por sua vez, cada secção está organizada em vários núcleos, de acordo com a função das peças expostas.
O Luxo Sagrado

Os ourives de Guimarães do ouro e da prata estavam agregados numa única corporação, simultaneamente profissional, religiosa e de assistência mútua, que tinha como patrono Santo Elói.
Executar os cálices, os vasos de sacrário, as custódias e as restantes peças destinadas ao culto divino constituía para os ourives motivo de orgulho. Trabalhavam ao serviço de Deus, escolhendo os metais nobres, cinzelando ou gravando os símbolos sagrados, procurando nos ínfimos pormenores a perfeição técnica. Cada peça que saía das suas mãos constituía um hino de louvor e uma forma de oração.
A Igreja local era a principal compradora das pratas de Guimarães, através da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, dos conventos e das numerosas confrarias. Os ourives feirantes vendiam-nas também de norte a sul, no interior do país.

Intimidade e Requinte
As pratas civis executadas em Guimarães eram, sobretudo, peças para serem usadas na vida quotidiana das famílias nobres ou burguesas, como castiçais e outras luminárias, pequenas salvas, talheres e paliteiros. Os conjuntos para escrita (“escrivaninhas” ou “escritórios”) surgiam em casa de clérigos ou de letrados. Já os bules e cafeteiras, os “aparelhos” (serviços) de chá ou de café, as salvas de aparato, os faqueiros completos em estojo, os gomis e as “bacias de água às mãos” ou de “água à barba” eram de produção e de circulação mais restritas, e indicam uma elevada situação social dos seus proprietários.
A exposição pode ser vista até 31 de agosto, prolongando o prazo que, inicialmente, deveria terminar a 2 de maio.
Museu de Alberto Sampaio
01.07.10







