Conferência
Pedras preciosas no Tesouro da Igreja de Nossa Senhora das Salas (Sines)
“O Sagrado e o Profano: pedras preciosas no Tesouro da Igreja de Nossa Senhora das Salas (Sines)” é o tema da conferência que Rui Galopim de Carvalho profere naquele espaço a 11 de setembro.
A sessão, marcada para as 16h00, com entrada livre, insere-se no Programa Ciência Viva, a que o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHA) aderiu desde 2008.
Naquele ano, a instituição premiada com a mais recente edição do Prémio de Cultura Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, iniciou uma parceria com o Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa que se vem desenvolvendo regularmente e contribui para dar nova vida aos monumentos religiosos do Baixo Alentejo.

“A ciência representa um aliado essencial para o estudo e a salvaguarda do património”, explica o diretor do DPHA, José António Falcão, “mas pode assumir também um papel fundamental em termos de animação e divulgação”.
A aproximação à arte sacra através da sua componente científica permite lançar novos olhares sobre um património que ainda reserva muitas surpresas: “É impressionante o manancial de informações de elevado valor científico que estão ‘armazenadas’ nos nossos monumentos; há aqui verdadeiros tesouros do conhecimento que urge partilhar com as comunidades e com quem nos visita”, salienta.
“Já lá vão os tempos em que se olhava para o património religioso sobretudo pela vertente artística ou histórica; sabemos agora que ele constitui um laboratório vivo, onde se encontram inúmeras respostas sobre o meio ambiente, a sua evolução e a sua interação com a presença humana”, assinala José António Falcão.

A iniciativa resulta da colaboração da Diocese de Beja com a Universidade de Lisboa, a Direção Regional de Cultura do Alentejo (Ministério da Cultura) e o Município de Sines.
Quer saber mais sobre as pedras das suas joias?
Uma outra inovação nas ações “Ciência no verão” prende-se com a possibilidade de se obter uma avaliação gratuita das pedras preciosas patentes em peças que os participantes na iniciativa tenham em casa.
Quem comparecer na igreja das Salas a 11 de setembro pode trazer as suas joias familiares para que sejam observadas, num laboratório móvel, por Rui Galopim de Carvalho, que irá proceder a uma primeira identificação das gemas nelas aplicadas.
Esta oportunidade constitui uma ocasião para quem estiver interessado em conhecer a proveniência, a antiguidade e o valor histórico das obras que lhe pertencem.
Igreja de Nossa Senhora das Salas
A igreja de Nossa Senhora das Salas (popularmente usa-se também a variante tardia Salvas, que data do século XIX) é uma referência primordial na memória e no coração da cidade de Sines.
Construída pouco depois de 1500, por iniciativa de D. Vasco da Gama, almirante dos mares da Índia e conde de Vidigueira, que nasceu nesta terra costeira ao redor de 1460 e foi grande devoto de Santa Maria das Sallas, evoca a tradição da arquitetura do Gótico Tardio, característica do período manuelino em terras do sul.

Possui igualmente um acervo artístico da maior relevância, desde a talha dourada à azulejaria. Passa mais despercebido o facto - contra o que seria de esperar numa terra muito fustigada por transformações violentas - conservar íntegro o seu tesouro de alfaias devocionais.
Ao contrário do que sucedeu noutras localidades da região, Sines soube preservar, mesmo em períodos conturbados, como os das invasões francesas, a extinção das ordens religiosas, das guerras civis ou da implantação da República, o acervo de joias oferecidas por sucessivas gerações de sineenses, como ex-votos, a imagens de santos.
Trata-se de um conjunto extraordinário de peças, na maioria dos séculos XVIII, XIX e XX, que tem vindo a ser apresentado, de forma rotativa, no pólo museológico instalado pelo Departamento do Património da Diocese de Beja, na igreja, em 2005.
Ana Santos / SNPC
© SNPC |
07.09.10

Igreja de Nossa Senhora das Salas






