Vemos, ouvimos e lemos
Paisagens
Pedras angulares A teologia visual da belezaQuem somosIgreja e CulturaPastoral da Cultura em movimentoImpressão digitalVemos, ouvimos e lemosPerspetivasConcílio Vaticano II - 50 anosPapa FranciscoBrevesAgenda VídeosLigaçõesArquivo

Expressão plástica e cinema

"Amar as diferenças": Cinema de Marco Martins e instalações de Michelangelo Pistoletto contemplam a humanidade

Um livro que deu origem a um documentário, um documentário que gerou uma exposição: assim se faz "Amar as Diferenças", patente até 15 de abril no espaço BES Arte & Finança, em Lisboa.

Algumas das obras do italiano Michelangelo Pistoletto, que recebeu em 2003 o Leão de Ouro na Bienal de Veneza pelo seu percurso artístico, dialogam com o documentário "Twenty one twelve, the day the world didn’t end" (“21/12, o dia em que o mundo não acabou”), do cineasta português Marco Martins.

O trabalho conjunto partiu de «duas viagens grandes» a Itália e igual número de «entrevistas extensas» a Pistoletto, das quais apenas um excerto é apresentado na mostra, explicou o realizador ao programa de cultura “Ensaio geral”, da Renascença.

«Com base nessas nossas conversas, começámos a falar sobre o que poderia ser o filme. E propus-lhe uma obra muito aberta, muito reflexiva, e até, de alguma maneira, muito contemplativa», referiu Marco Martins, distinguido em 2006 no Festival de Cannes pelo filme “Alice”.

O documentário pretende reunir «a maior diversidade possível» da humanidade, observando «como é o dia a dia de pessoas com profissões muito distintas, desde astrofísicos a quem entrega comida na Índia, passando por escritores e músicos».

Em mês e meio, o cineasta filmou o documentário que acompanha a vida quotidiana de 12 pessoas em diversas partes do globo no dia 21 de dezembro de 2012, em que o calendário Maia vaticinava o fim do mundo.

«O mundo não acabou mas, de alguma forma, precisamos todos de nos reinventar e reformular várias questões. Ficaram então 12 personagens, começando pelo símbolo do “infinito mais um” de Pistoletto, que representa quase um mundo grávido de alguma coisa que está para vir», apontou.

O filme, que após a estreia no museu parisiense do Louvre, em 2013, tem circulado por vários festivais de cinema internacionais, é agora apresentado pela primeira vez como Marco Martins idealizou: «Em multicanal, com os quotidianos a acontecer ao mesmo tempo».

«Interessa-me sobretudo o outro», acentuou o realizador, que quis vincar uma segunda perspetiva no seu documentário: «Nós temos uma ideia de “crise” que é muito ocidental, mas noutros lugares do mundo, e apesar de tudo, a vida das pessoas melhorou muito».

“Love difference” (“Amar a diferença”) define-se como um movimento artístico para uma política intermediterrânica. A iniciativa foi apresentado por Michelangelo Pistoletto na Bienal de Veneza, em 2003, um ano após o seu início.

No manifesto «Uma política que conduza as pessoas a “amar as diferenças” é vital para o desenvolvimento de novas perspetivas em todo o domínio social», destacou Pistoletto no manifesto que dá nome à iniciativa.

O conceito da plataforma «vai para além de uma noção racional de “tolerância” por aquilo que é diferente, e penetra diretamente na esfera dos sentimentos: amor significa sentir atração e emoção, expressar afeto e dedicação».

Por isso, «a primeira coisa a aceitar» são «as diferenças entre pessoas e grupos sociais, de modo a definitivamente dar sentido à palavra “humanidade”», num mundo em que a multiplicidade de «grupos étnicos, religiões e culturas é a causa de terríveis conflitos».

As instalações da exposição de Lisboa «pretendem desenvolver o tema do equilíbrio das diferenças, como condição para uma verdadeira pacificação», escreve Pistoletto.

«Por um lado, ao centro da diferença encontramos o Mar Mediterrâneo, enquanto lugar físico e simbólico de relação entre civilizações, com uma história de processos de desenvolvimento, mas também de conflitos. A este propósito não podemos deixar de ter em conta que o Mediterrâneo ainda hoje é o "foco" das maiores problemáticas. A outra instalação expressa a mesma fenomenologia através das principais religiões e inclui ainda a conceção laica da espiritualidade.»

Esta e outras propostas foram sugeridas no programa “Ensaio geral”, da jornalista Maria João Costa, que a Renascença transmite às sextas-feiras pelas 23h30, e que pode ser ouvido na íntegra na internet.

Fotograma

 

Maria João Costa
Com SNPC/rjm
In Renascença
12.02.14

Redes sociais, e-mail, imprimir

Imagem
Michelangelo Pistoletto 
"Love Difference, Mar Mediterrâneo"
2003-2005 Fondazione Pistoletto
Foto: P. Terzi

 

 

 

Página anteriorTopo da página

 


 

Receba por e-mail as novidades do site da Pastoral da Cultura


Siga-nos no Facebook

 


 

 


 

 

Secções do site


 

Procurar e encontrar


 

 

Página anteriorTopo da página