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Morreu o filósofo André Glucksmann, distinguido por Bento XVI pela defesa dos direitos humanos

Imagem André Glucksmann | D.R.

Morreu o filósofo André Glucksmann, distinguido por Bento XVI pela defesa dos direitos humanos

«Trazia em si todos os dramas do século XX»; colocou «durante toda a sua vida a própria formação intelectual ao serviço de um compromisso público pela liberdade». Estas são algumas das palavras que a Presidência da República Francesa publicou em comunicado evocativo de André Glucksmann, falecido esta terça-feira, em Paris.

Nascido em 1937, aluno do intelectual liberal Raymond Aron, com quem trabalhou longamente, Glucksmann tornou-se conhecido sobretudo pelo seu empenho civil a favor dos direitos humanos, a partir de maio de 1968, quando sai a sua primeira obra, “O discurso da guerra”.

Com Bernard-Henri Levy fez parte da corrente dos “novos filósofos”, e no fim dos anos 70, juntamente com Jean Paul Sartre, figura de proa do existencialismo, e Aron fez frente comum na defesa dos “boat people”, em fuga do Vietname comunista, operação que permitiu salvar milhares de vidas.

Foi um dos primeiros a denunciar abertamente os horrores da União Soviética e a «guerra suja» no Vietname. A fratura com o marxismo francês ocorreu em 1975, com a publicação de um dos seus textos mais célebres, “La Cuisinière et le mangeur d'hommes” (“A cozinheira e o devorador de homens”).

Também na obra “Les maîtres penseurs” (“Os mestres pensadores”) prosseguiu a crítica aos seus antigos companheiros da extrema-esquerda, devido à sua complacência relativamente às ditaduras comunistas. O seu percurso intelectual levou-o a aproximar-se dos dissidentes soviéticos.

Em 1989 seguiu para a imprensa gaulesa a queda do muro de Berlim, e 10 anos depois apoiou a intervenção da Nato no Kosovo, na sequência da sua aversão ao totalitarismo em todas as suas formas.

Apontou no diário francês “Le Monde”, em 2003, a presença de armas de destruição maciça no Iraque, apoiando a intervenção norte-americana, acertada na Cimeira das Lajes, nos Açores, com os primeiros-ministros de Portugal, Espanha e Reino Unido. Apoiou o regime checheno e, por esse motivo, opôs-se ferozmente ao presidente russo, Vladimir Putin.

A 9 dezembro de 2009, Glucksmann deslocou-se ao Vaticano para receber das mãos do papa Bento XVI o Prémio Auschwitz para os Direitos do Homem – João Paulo II, atribuído para distinguir uma personalidade que incarnou, através da sua vida e atividades, o ideal dos direitos humanos segundo o magistério e o testemunho do papa polaco.

Em declarações à Rádio Vaticano após a cerimónia de entrega do prémio, Glucksmann afirmou que a distinção significava para ele uma pesada responsabilidade, e notou o paradoxo aparente de associar o campo de concentração nazi de Auschwitz aos direitos humanos.

 

Fontes: L'Osservatore Romano, Avvenire, Rádio Vaticano
Edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 11.11.2015

 

 
Imagem André Glucksmann | D.R.
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