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António Costa, Francisco, Bento XVI, e a Igreja católica

Imagem Papa Francisco com António Costa | Praça de S. Pedro, Vaticano, 25.3.2015 | Foto: Clara Azevedo (in "Câmara Municipal de Lisboa")

António Costa, Francisco, Bento XVI, e a Igreja católica

Um encontro com o atual papa e a alusão ao discurso de Francisco no Parlamento Europeu foram algumas das notícias que este ano ligaram a Igreja católica ao novo primeiro-ministro de Portugal, António Costa, hoje indigitado pelo Presidente da República.

A 25 de março, o então presidente da Câmara Municipal de Lisboa encontrou-se com o papa Francisco, no Vaticano, em audiência pública, inserido numa delegação de dirigentes da rede de cidades “magalhânicas”.

Na ocasião, referia a agência Lusa, António Costa convidou Francisco a visitar o Museu Municipal Antoniano, no contexto da sua previsível viagem a Fátima, em 2017, por ocasião do centenário das aparições de Nossa Senhora.

Segundo fonte da autarquia, o edil ofereceu ao papa uma caravela portuguesa em prata, trabalho em filigrana realizado pelo ourives José Sousa, e um folheto explicativo, em italiano, do museu dedicado a Santo António.

Mais tarde, a 24 de setembro, em plena campanha eleitoral para as eleições legislativas, o secretário-geral do Partido Socialista citou «com frequência» o papa Francisco, nomeadamente «o discurso no Parlamento Europeu», a 25 de novembro de 2014, no passo em que mencionou «“dignidade da pessoa humana” como base da reconstrução da Europa», lia-se no sítio da Renascença.

A jornalista Susana Madureira Martins escrevia, na mesma página, que António Costa repetia, «noite após noite, que não foram apenas os socialistas que ajudaram ao relançamento europeu, mas todo o movimento operário, os democratas-cristãos e os que se inspiraram na doutrina social da Igreja».

Recuemos agora até 2010: 11 de maio, Bento XVI, hoje papa emérito, chegava a Portugal, iniciando a sua visita por Lisboa. A autarquia, presidida por António Costa, decidia seguir o Governo na decisão de atribuir tolerância de ponto aos seus funcionários, devido às restrições no trânsito impostas pelas medidas de segurança.

O autarca explicava então, citado pelo “Expresso”, que não havia «uma contabilidade total» acerca dos custos da visita para o município, que estava a fornecer «toda a colaboração» solicitada do ponto de vista «logístico e operacional».

A missa presidida por Bento XVI no primeiro dia da viagem foi celebrada no Terreiro do Paço, pouco tempo após a conclusão da renovação do piso da cénica praça.

António Costa entregou as chaves da cidade ao papa, «distinção máxima reservada a chefes de Estado, que foi decidida em Câmara por unanimidade», noticiava o semanário.

Todavia, para o atual primeiro-ministro, a «grande honra» concedida a Bento XVI não era a distinção municipal, mas a forma como a população da cidade haveria de receber o papa.

Em 2010 celebravam-se os 100 anos da Implantação da República, que sacudiu a presença da Igreja em Portugal.

«É bom sinal que no mesmo ano possamos receber Sua Santidade e possamos também comemorar o centenário. Hoje, felizmente, a leitura que todos fazemos do fenómeno espiritual e o que a própria Igreja mudou ao longo deste século, permite-nos conviver com tolerância. Essa é uma das marcas importantes da cidade de Lisboa», comentou então o edil.

Voltemos à máquina do tempo e apontemos para 2007, mais precisamente 15 de junho, quando o cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, recebeu António Costa, no contexto da sua candidatura a presidente da autarquia.

«A Igreja católica é uma instituição muito importante em Lisboa e com um conhecimento profundo da cidade», declarou após a reunião, acrescentando que ela «é depositária de um valioso património histórico essencial na vida da cidade».

Citado pela Lusa, António Costa explicou que a visita tinha visado «transmitir um sinal de respeito por parte da futura Câmara relativamente às comunidades religiosas» e sublinhar a «importância» que a candidatura dava «ao diálogo intercultural».

«Sei que o estímulo ao diálogo intercultural é uma preocupação permanente do senhor cardeal patriarca. É bom que todas as comunidades religiosas partilhem esse princípio», afirmou.

António Costa salientou então que era «essencial uma parceria de colaboração entre a Igreja Católica e a Câmara Municipal de Lisboa» e acentuou a importância dos católicos no apoio às pessoas mais carenciadas.

«A Igreja Católica conhece a cidade, os seus dramas sociais e tem uma relação profunda com as pessoas. As instituições ligadas à Igreja Católica são parceiras da cidade no acolhimento e na ajuda às populações», assinalou.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 24.11.2015

 

 
Imagem Papa Francisco com António Costa | Praça de S. Pedro, Vaticano, 25.3.2015 | Foto: Clara Azevedo (in "Câmara Municipal de Lisboa")
«É bom sinal que no mesmo ano possamos receber Sua Santidade e possamos também comemorar o centenário. Hoje, felizmente, a leitura que todos fazemos do fenómeno espiritual e o que a própria Igreja mudou ao longo deste século, permite-nos conviver com tolerância»
«A Igreja Católica conhece a cidade, os seus dramas sociais e tem uma relação profunda com as pessoas. As instituições ligadas à Igreja Católica são parceiras da cidade no acolhimento e na ajuda às populações»
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