

«Creio que em muitos, como a mim sucede, há períodos de tempo em que certas ideias ocupam e obstruem o cérebro, fechando-o a todas as outras. Mas se também à coletividade acontece a mesma coisa! Vive de Darwin depois de ter vivido de Robespierre e de Napoleão...» (Italo Svevo)
Um dos filmes italianos dos anos 60 intitulava-se "A ideia fixa", e não é difícil imaginar qual seria: o sexo é, em muitos, uma verdadeira fixação que adquire modalidades desviantes, não só morais, mas também psicológicas.
Na realidade, o poeta francês Paul Valéry, que ao tema dedicou um ensaio, justamente afirmava que uma ideia não pode ser fixa porque o espírito é vivo, criativo, móvel, e não pode reduzir-se a um pântano estagnado.
Todavia, é um facto que também tem razão Italo Svevo, no seu romance "A consciência de Zeno" (1923), de que extraímos o parágrafo acima citado. A muitos acontece, com efeito, aquilo que Zeno Cosini, o protagonista, confessava de si e da sociedade: há ideias que de tal maneira bloqueiam o cérebro de uma pessoa ou de toda uma massa, que impedem que outras nele se alojem.
Pense-se apenas em certas modas que nos nossos dias são exaltadas pelo poder comunicativo da televisão: quem a elas se subtrai, procurando pensar pela sua própria cabeça, é logo escarnecido como retrógrado. É impressionante ver como, muitas vezes, essas modas são substituídas por outras, que são, porém, sempre ideias fixas e diretivas.
Há, depois, ainda, a fixação pessoal: quantas vezes temos de evitar um assunto com uma pessoa porque sabemos que, se tocamos em determinado argumento, ela se enfurece por não admitir exceções ou críticas às suas teses. E isto também nos acontece, inconscientes de termos igualmente as nossas fixações.
O filósofo dinamarquês Kierkegaard advertia: «As ideias fixas são como as cãibras nos pés: o melhor remédio é caminhar sobre elas».
P. (Card.) Gianfranco Ravasi