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"As sete últimas palavras de Cristo na cruz" com textos da Bíblia, Oscar Wilde, Patti Smith, Simone Weil, Cohen e Pascoaes

Imagem Crucificação (det.) | Altichiero da Zevio | 1378-84 | Oratório de San Giorgio, Pádua, Itália

"As sete últimas palavras de Cristo na cruz" com textos da Bíblia, Oscar Wilde, Patti Smith, Simone Weil, Cohen e Pascoaes

A Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música interpretou este sábado "As sete últimas palavras de Cristo na Cruz" (1786), do compositor Joseph Haydn, acompanhada por textos sagrados e autores exteriores ao cânone bíblico.

Com narração do ator João Reis e tradução dos excertos literários de Rui Vieira Nery, a peça começou com a "Sonata I", composta pelas palavras «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem», seguidas de textos de Martin Luther King Jr., Simone Weil, Antonin Artaud, Maurice Maeterlinck e Georges Bernanos.

«Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso», promessa dirigida por Jesus a um dos outros dois crucificados, iniciou a "Sonata II", que incluiu escritos do português Joaquim Teixeira de Pascoaes ("A Sombra da Vida"), Leonard Cohen e John Henry Mackay.

Dirigindo-se a Maria e a João, disse Jesus: "Mulher, eis o teu filho, e tu, eis a tua mãe"; assim abriu a "Sonata III", completada com palavras de Patti Smith, Sindiwe Magona, Ra'hel e Simone Weil.

"Deus, meu Deus, porque me abandonaste", a quarta palavra e sonata, foram acompanhadas por textos de George Bernanos e Oscar Wilde, antes do "Tenho sede", seguido de fragmentos de Kahlil Gibran e Johann von Goethe.

A "Sonata VI" principiou com o «Está consumado», complementado por textos do Corão, Leonard Cohen, Claude-Emma Debussy e Max Jacob, antecedendo a sétima e última palavra, «Pai! Em tuas mãos entrego o meu espírito», enquadrado por textos de Mikhail Bulgakov, Richard Wagner, Max Jacob, Pascoaes e Raul Brandão.

Ao longo da peça de 90 min., foram também lidos outros excertos dos Evangelhos segundo S. João (19,26-27; 19,28), S. Mateus (27,46) e S. Lucas (23,46). O final é marcado pela intensidade dramática do terramoto.

«Joseph Haydn pretendeu compor música que fosse imediatamente acessível e profundamente humana, de tal forma que o ouvinte, mesmo o menos esclarecido, se sentisse emocionado no mais profundo da sua alma», refere a nota de apresentação deste «concerto-meditação».

Depois do século XVI, as últimas palavras de Cristo na cruz «inspiraram abundantemente os crentes, filósofos e artistas, alimentando as meditações de Max Jacob ou de Simone Weil, bem como a prosa febril de Bernanos», sublinha a folha de sala.

«Pretendeu‑se que o Narrador pudesse fazer ouvir destas palavras os ecos mais diversos, aqueles que ressoam noutros textos sagrados como o Qur’ãn (Corão) e os sutras budistas, ou na poesia mística, de Ra’hel a Teixeira de Pascoaes, mas também aqueles que podemos ainda discernir em textos onde a sua ressonância pensávamos poder estar muito atenuada», explicam os promotores do concerto.

A seleção de autores convocados procurou «preservar a maior ressonância possível, fazendo cruzamentos entre séculos, entre Norte e Sul, entre Oriente e Ocidente, deixando a resposta ao político (os sermões de Martin Luther King Jr.) e às celebridades (Patti Smith, Leonard Cohen), à intimidade humilde e nua da carta de uma criança, onde a filha de Debussy relata a morte do seu pai».

A encenação e a autoria da instalação vídeo, com imagens de Jerusalém, sobretudo da "Via Dolorosa", percurso que, segundo a tradição, Jesus seguiu desde a cidade até à crucificação, foi assinada pela dupla francesa Jean-Philippe Clarac e Olivier Deloeuil.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 10.11.2015

 

 

 
Imagem Crucificação (det.) | Altichiero da Zevio | 1378-84 | Oratório de San Giorgio, Pádua, Itália
Joseph Haydn pretendeu compor música que fosse imediatamente acessível e profundamente humana, de tal forma que o ouvinte, mesmo o menos esclarecido, se sentisse emocionado no mais profundo da sua alma
Depois do século XVI, as últimas palavras de Cristo na cruz «inspiraram abundantemente os crentes, filósofos e artistas, alimentando as meditações de Max Jacob ou de Simone Weil, bem como a prosa febril de Bernanos
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