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Papa Francisco: As verdadeiras batalhas a combater são pela vida, e nunca pela morte

O papa Francisco afirmou esta quarta-feira, no Vaticano, que os únicos combates que devem ser travados são aqueles que procuram salvar vidas, e não os que conduzem à morte.

«Tomei conhecimento, com grande dor, que há dois dias, em Damasco [capital da Síria], disparos de morteiro mataram algumas crianças que regressavam da escola e o motorista do autocarro. Outras crianças ficaram feridas. Por favor, que estas tragédias não aconteçam mais! Rezemos fortemente», apelou.

«Nestes dias, estamos a rezar e a unir as forças para ajudar os nossos irmãos e irmãs das Filipinas, atingidos pelo furacão. Estas são as verdadeiras batalhas a combater. Pela vida. Nunca pela morte!», frisou perante milhares de peregrinos presentes na Praça de S. Pedro para a audiência geral das quartas-feiras.

Francisco centrou a sua intervenção no Batismo e na Penitência, que «não é uma sessão numa sala de tortura», mas sim uma festa que recorda o primeiro dos sacramentos e dá sentido à existência humana, porque «é somente no perdão, dado e recebido», que o coração «encontra a paz e a alegria».

Referindo-se ao artigo do Credo «Professo um só Batismo para a remissão dos pecados», o papa lembrou que constitui «a única referência explícita a um sacramento» dentro da profissão de fé dos católicos.

O Batismo, que literalmente significa “imersão”, é a porta da fé e da vida cristã. Jesus Ressuscitado deixou aos apóstolos esta recomendação: “Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for baptizado será salvo”», lembrou Francisco.

Perante milhares de peregrinos presentes na Praça de S. Pedro, o papa vincou que a frase do Credo pode ser dividida em três pontos: «Professo», «um só Batismo» e «para a remissão dos pecados».

«Professo» é um «termo solene que indica a grande importância do objecto, isto é, do Batismo», já que ao dizer este artigo os cristãos afirmam a «verdadeira identidade dos filhos de Deus», referiu.

Para Francisco, «o Batismo é, certo sentido, o bilhete de identidade do cristão, o seu ato de nascimento» e, também, o seu «ato de nascimento na Igreja».

«Todos vós conheceis o dia em que nascestes. Todos festejais o aniversário. Todos nós festejamos o aniversário. Mas faço uma pergunta que fiz noutra ocasião, mas que faço outra vez: quem de vós recorda a data do seu Batismo? Levantai a mão. Quem de vós? São poucos, hã?», comentou, levantando os olhos do discurso.

«Façamos uma coisa, hoje, quando regressardes a casa, perguntai: “Em que dia fui baptizado?” E este é o segundo aniversário. O dia em que se nasce na Igreja», apontou.

A seguir, Francisco interpelou os fiéis: «O Batismo, para mim, é um facto do passado, daquele dia, daquela data, que vós ides hoje procurar qual é, ou uma realidade viva, que diz respeito ao meu presente, em cada momento? Sentes-te forte com a força que te dá Cristo, com o seu sangue, com a sua ressurreição, sentes-te forte ou sentes-te fraco, sem força? O Batismo dá força! Com o Batismo sentes-te iluminado? Sentes-te iluminada? Com aquela luz que vem de Cristo, sois homens ou mulheres de luz, ou sois homens ou mulheres escuras, sem a luz de Cristo?»

Segundo Francisco, o primeiro dos sete sacramentos está ligado à remissão dos pecados: A Penitência é «como um segundo Batismo, que remete sempre para o primeiro, para consolidá-lo e renová-lo», e para «ter limpa» a «veste branca» envergada por quem é batizado.

«Neste sentido, o dia do nosso Batismo é o ponto de partida de um caminho, de um caminho belíssimo, de um caminho para Deus, que dura toda a vida, um caminho de conversão e que é continuamente sustentado pelo sacramento da Penitência», realçou.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 13.11.13

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FotoVaticano, 8.11.2013
REUTERS/Claudio Peri/Pool

 

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