

O astronauta russo Sergey Ryzhikov vai levar para o espaço ícones cristãos, os Evangelhos, cartas dos seus familiares e pedras do monte Tabor, onde, segundo uma tradição, Jesus se transfigurou.
O anúncio foi feito pelo próprio no início de setembro, durante uma conferência de imprensa realizada no centro de treino de astronautas, na região de Moscovo, refere a agência Interfax.
Sergey Ryzhikov anunciou também que o chamamento da tripulação, que inclui mais um astronauta russo e um norte-americano, vai ser feito a partir da estação de controlo na Terra com o nome “Tabor”.
O lançamento da nave pilotada Soyuz MS 02, que transportará a tripulação para a Estação Espacial Internacional, está agendada para 23 de setembro, prevendo-se que a permanência no espaço seja de 155 dias.
O propósito de Ryzhikov evoca as palavras em sentido oposto atribuídas a Nikita Krushchov, secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, que o primeiro homem no espaço, o também soviético Yuri Gagarin, procurou Deus mas não o encontrou.
Não é a primeira vez que astronautas levam consigo ícones para a Estação Espacial Internacional: em 2009, Maksim Suraev contava que havia quatro ícones na secção russa, uma cruz e os Evangelhos, além de uma cruz mais pequena na cabina individual.
No centro de treinamento espacial russo há um espaço reservado para a igreja da Transfiguração, cujo responsável, o padre ortodoxo Job Talats, visita com frequência o local de lançamento das tripulações, em Baikonur, próximo da fronteira com o Cazaquistão.
O religioso prepara espiritualmente os astronautas que assim o desejem para a viagem, está com eles antes da partida e espera-os no regresso, além de estar disponível para os abençoar e rezar por eles quando se preparam para sair da nave e ir para o espaço. E um astronauta russo aproveitou a viagem para ler toda a Bíblia.
No fim de agosto o astronauta norte-americano Jeff Williams referiu-se, em direto do espaço, ao que acredita ser a mão divina no cosmo, relato que ocorreu durante uma celebração religiosa dominical protestante.
«Quando olho através da janela e vejo isto, todos os elementos são o que se imaginaria ver de um trabalho criativo de um Deus infinito. Vê-se o “design”, a beleza, o objetivo, veem-se todos estes elementos, vê-se ordem em todos os detalhes», afirmou, acrescentando que se trata de uma «incrível experiência de humildade».
Rui Jorge Martins