Papa diz que Batismo não é «ato formal» para dar um nome e sublinha que «não é o mesmo uma criança batizada ou uma criança não batizada»
O papa Francisco iniciou esta quarta-feira, na primeira audiência geral de 2014, que decorreu na Praça de S. Pedro, no Vaticano, um ciclo de audiências sobre os sacramentos, começando pelo primeiro, o Batismo.
«Por uma feliz coincidência», no próximo domingo os católicos assinalam o Batismo de Jesus, disse o papa, citado pela Rádio Vaticano, sublinhando que o sacramento é o fundamento da fé cristã.
O Batismo, a Eucaristia e a Confirmação (Crisma) formam a “Iniciação Cristã”, «que se constitui como um único, grande acontecimento sacramental» que configura quem os recebe a Cristo, fazendo dessa pessoa «um sinal vivo da sua presença e do seu amor».
«Pode nascer em nós uma pergunta: mas é verdadeiramente necessário o Batismo para viver como cristão e seguir Jesus? Não é, no fundo, um simples rito, um ato formal da Igreja para dar o nome ao menino e à menina?», disse o papa.
Para Francisco, o Batismo «não é uma formalidade», mas um «ato que toca em profundidade» a existência humana, vincando que «não é o mesmo uma criança batizada ou uma criança não batizada», o mesmo acontecendo com os adultos.
«Ainda que muitos não tenhamos a mínima recordação da celebração deste sacramento, somos chamados a viver cada dia aspirando à vocação que nele recebemos», apontou o papa ao referir-se à «vida nova, de comunhão com Deus e com os irmãos».
Embora com «limites e fragilidades», os católicos seguem Cristo e permanecem na Igreja «graças aos sacramentos»: «[É por eles] que nos convertemos em novas criaturas e somos revestidos de Cristo».
Francisco voltou a pedir às milhares de pessoas presentes na audiência para que, quando voltassem para casa, consultassem os seus documentos para saber a «data feliz» em que foram batizadas.
«O risco de não o saber é o de perder a memória daquilo que o Senhor fez em nós, a memória do dom que recebemos. Então acabamos por considerá-lo só como um acontecimento que ocorreu no passado - e que nem foi por nossa vontade, mas pela dos nossos pais -, para o qual já não há qualquer incidência no presente», afirmou.
«Somos chamados a viver o nosso Batismo a cada dia, como realidade atual na nossa existência», assinalou.
A intervenção realçou as consequências que o primeiro sacramento pode ter na relação pessoal e na ação social.
«Graças ao Batismo, somos capazes de perdoar e amar mesmo quem nos ofende e faz mal; conseguimos reconhecer nos últimos e nos pobres o rosto do Senhor que nos visita e nos faz próximo», indicou.
No fim da audiência, Francisco saudou os membros de uma companhia circense, que apresentaram uma pequena exibição.
«[O "Golden Circus"] privilegia este ano o mundo latinoamericano, e convido-o, nas suas viagens de cidade em cidade, a sentir-se mensageiro de alegria, mensageiro da fraternidade, numa sociedade que dela tem muita necessidade», disse.
REUTERS/Tony Gentile
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Rui Jorge Martins
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08.01.14
Papa Batismo batiza adultona Vigília Pascal
Foto: Franco Origlia








