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Comunidade católica inaugura com budistas caminhada de descoberta inter-religiosa

Imagem D.R.

Comunidade católica inaugura com budistas caminhada de descoberta inter-religiosa

A comunidade católica da Capela do Rato, em Lisboa, começa em fevereiro a realizar um conjunto de encontros com diversas tradições religiosas, começando pelo budismo.

A iniciativa da comunidade coordenada pelo P. José Tolentino Mendonça radica no facto de conviverem há vários anos – décadas, em alguns casos – no mesmo perímetro urbano cristãos, judeus, muçulmanos, budistas e outros, e todavia o desconhecimento é mútuo.

«Os encontros inter-religiosos são uma proposta para aprofundarmos uma pacífica convivência com base no conhecimento, no respeito e na amizade», explica a página da comunidade.

O primeiro encontro, marcado para dia 10, às 19h30, na comunidade budista, começa com a exibição de excertos dos filmes “O grande silêncio”, sobre os monges cartuxos, e “Sesshins em Urnäsch”, do cineasta alemão Philip Gröning.

O programa continua com duas comunicações: “Como exprimir o inexprimível”, por José Tolentino Mendonça, e “O silêncio na poesia de Mestre Dogen”, proferida pelo monge zen Yves Shoshin Crettaz.

O encontro, intitulado “A via do silêncio”, termina com um tempo de meditação e a refeição.

Surgida no meio cultural e espiritual hindu, a filosofia budista baseia-se num princípio orientador do sofrimento, manifestado em “quatro nobres verdades”.

A superação do sofrimento compreende a supressão do desejo, ignorância e apego, mediante o “caminho óctupulo”: compreensão correta, pensamento correto, fala correta, ação correta, meio de vida correto, atenção correta, meditação correta e visão correta.

Destas vias, a meditação é considerada a mais importante para purificar o “karma” (ação criadora de efeitos) e alcançar o “nirvana”, ou cessação do sofrimento.

A meditação deve ser acompanhada pela observância de cinco atitudes: não matar ou maltratar os seres vivos, não roubar, ter uma conduta sexual respeitosa, não mentir, caluniar ou difamar, evitar qualquer tipo de drogas ou estimulantes.

“Buda” é o título dado àqueles que despertaram plenamente para a verdadeira natureza da mente e dos fenómenos, possuindo desta forma a omnisciência e um amor e compaixão infinitos por todos os seres sensíveis.

A denominação “Buda” não diz respeito a uma personagem específica, mas a um conjunto de seres iluminados que alcançaram a realização espiritual, entre os quais tem a primazia Siddartha Gautama., nascido provavelmente em 566 a.C., na atual região de fronteira entre o Nepal e a Índia.

A ideia estruturante do budismo é que todos os seres sensíveis estão em contínua mutação enquanto a sua consciência ou fluxos mensais não se libertarem da ignorância, do desejo possessivo e da aversão.

É a qualidade da ação (“karma”) do ser que determina as condições do seu renascimento num dos seis mundos possíveis: divino, semidivino, humano, animal, infernal e de espíritos ávidos.

Esses universos, experimentados como reais, são reflexo das ações passadas e criam as causas das experiências futuras, agradáveis, desagradáveis ou neutras, permanecendo até que cessem os impulsos “cármicos”, num processo que dispensa a noção de juiz ou justiça exterior.

O budismo divide-se em várias tradições, especialmente a “theravada”, estabelecida no sudoeste asiático, a “mahayana”, de onde deriva o “zen” japonês, o “chan” chinês, “jodu shu” e “jodo shinshu”, e a “vajrayana”, que deu origem a escolas tântricas do budismo tibetano.

O encontro de 10 de fevereiro decorre no “Dojo Zen” de Lisboa (“dojo” é, literalmente, o “local onde se estuda a via”), comunidade inscrita na União Budista Portuguesa, que reúne as tradições budistas autênticas.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 13.01.2015

 

 

 
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A superação do sofrimento compreende a supressão do desejo, ignorância e apego, mediante o “caminho óctupulo”: compreensão correta, pensamento correto, fala correta, ação correta, meio de vida correto, atenção correta, meditação correta e visão correta
A ideia estruturante do budismo é que todos os seres sensíveis estão em contínua mutação enquanto a sua consciência ou fluxos mensais não se libertarem da ignorância, do desejo possessivo e da aversão
É a qualidade da ação (“karma”) do ser que determina as condições do seu renascimento num dos seis mundos possíveis
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