Cristãos são chamados a construir pontes em vez de muros, mesmo que seja preciso «engolir muitos sapos», diz papa Francisco
O papa Francisco voltou a sublinhar hoje, no Vaticano, a necessidade do diálogo e da humildade, ainda que essas sejam atitudes penosas, e afirmou que as discordâncias devem ser resolvidas logo que os ânimos serenem.
«Humilhar-se e fazer sempre a ponte, sempre. Sempre. Isto é ser cristão. Não é fácil. Não é fácil. Jesus fê-lo: humilhou-se até ao fim, fez-nos ver a estrada», apontou o papa na missa a que presidiu, revela a Rádio Vaticano.
Segundo Francisco, quando surge um problema, «o mais rápido possível, no momento em que se possa fazê-lo, depois que é passada a tormenta, aproximar-se ao diálogo, porque o tempo faz crescer o muro, como faz crescer a erva daninha que impede o crescimento da semente».
«Quando os muros crescem é muito difícil a reconciliação, é muito difícil», acentuou o papa, para quem o diálogo exige «a mansidão, sem gritar», pensando no que o interlocutor pode oferecer.
Para dialogar, prosseguiu Francisco, é preciso «fazer-se tudo a todos», mesmo que para isso seja preciso «engolir muitos sapos»: «Devemos fazê-lo, porque a paz faz-se assim: com a humildade, a humilhação, procurando sempre ver no outro a imagem de Deus».
Se o diálogo é «difícil», pior é deixar que o rancor cresça no coração, atitude que conduz ao isolamento «no caldo amargo» do «ressentimento», disse o papa, que na manhã desta sexta-feira recebe o presidente francês, François Hollande.
Para Francisco, não é grave se «algumas vezes voarem os pratos» na família, na comunidade ou no bairro, porque o importante é «procurar a paz o mais depressa possível» com uma palavra ou um gesto.
«Mesmo no nosso coração existe a possibilidade de se tornar Berlim, com o Muro com outros», disse o papa, referindo-se à barreira que durante várias décadas da segunda metade do século XX separou a Alemanha entre ocidente e oriente.
«Eu tenho medo destes muros, destes muros que crescem a cada dia e favorecem os ressentimentos. Mesmo o ódio», assinalou Francisco, que terminou a homilia com uma prece dirigida ao santo que os católicos evocam hoje.
«Hoje, que possamos pedir a S. Francisco de Sales, doutor da doçura, que dê a todos nós a graça de fazer pontes com os outros, nunca muros».
Rui Jorge Martins
© SNPC |
24.01.14
Papa FranciscoVaticano, 22.1.2014
AP Photo/Alessandra Tarantino








