

S. Francisco de Assis«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve» (Mateus 11, 28-30).
Qual é a chave para encontrar repouso para a nossa vida? Esforçamo-nos todos os dias perseguindo a convicção de que se tivermos mais dinheiro, uma casa maior, mais sucesso social, mais poder, então, como recompensa, teremos a felicidade. Perseguindo aquilo que não é essencial, perdemos de vista de vista a paz. O repouso para a nossa vida está nas nossas mãos, hoje.
Se arámos impiedade e plantámos injustiça, se comemos o fruto da mentira uma vez que depositámos a confiança na nossa força, agora, para seguir Cristo, é-nos pedido para semear segundo a justiça e plantar segundo a bondade, lavrar um campo novo até que o Senhor venha.
A lógica do mundo, que quer reconhecimento e poder, não é o caminho que Jesus escolheu para se revelar a nós, mas manso e humilde caminhou junto de quem está curvado, de quem é pobre, para nos ensinar que o único peso que não se pode carregar é não amar.
E S. Francisco, de quem hoje fazemos memória, compreendeu que o caminho não é revestir-se de glória, mas despojar-se. Nu diante de uma Palavra que nos atravessa e faz luz na nossa escuridão, para que o peso que levamos em nós e sobre nós seja partilhado e acolhido, e, por isso, se torne leve.
Quem procura uma receita, um conjunto de regras a seguir para se sentir seguro, certo de uma salvação pessoal, arrisca-se a não encontrar a única porta de acesso ao Reino, essa sabedoria que se fez carne e que se pode aprender só com a vida.
Aqueles que se despojaram de tudo receberam o infinito no coração despido. A paz não se alcança acrescentando, com a abundância e a acumulação, mas aprendendo a tirar até ao essencial.
Esse essencial que da cruz abraça e reergue quem está curvado, porque na crueza e na nudez da vida há uma dignidade que nenhuma posse poderá jamais igualar. É um paradoxo deixar aquilo que parece tão desejável? É um paradoxo deixar algo que tão arduamente se tornou meu para o partilhar? E se fosse esta a chave da felicidade?
Ir. Elisabetta
S. Francisco de Assis