Diocese do Funchal desmente suspensão do Átrio dos Gentios
A diocese do Funchal enviou esta quarta-feira ao “Público” uma nota onde afirma que «não corresponde minimamente à verdade» a notícia da interrupção do «projeto de diálogo com ateus», que segundo o jornal foi determinada pelo bispo.
O “Direito de Resposta”, enviado ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, refere-se a um artigo publicado a 5 de maio, onde o jornalista Tolentino de Nóbrega escreveu que D. António Carrilho «ordenou a suspensão da iniciativa “Átrio dos Gentios”, um espaço de celebração e diálogo com não-crentes ou ateus que estava a ser dinamizado por quatro padres diocesanos, na sequência de um desafio lançado pelo Papa Bento XVI».
«O bispo do Funchal não proibiu e nem sequer podia ter dado ordens para suspender um projeto, que não lhe foi apresentado, e que a realizar-se carecia do seu conhecimento e autorização, como iniciativa que extravasava a paróquia», refere o esclarecimento, remetido ao Núncio Apostólico (representante diplomático da Santa Sé) em Portugal e aos três bispos que compõem a Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.
A nota recusa a ideia de que haja «pressão das autoridades civis» da Madeira sobre a diocese: «Vê-se, claramente, até pelo desenvolvimento da notícia e pela chamada de última página, que o objetivo era fazer crer aos leitores uma dependência da Igreja em relação às autoridades civis da Região, tão absurdo como todo o teor geral do artigo».
O texto expressa a surpresa da diocese quanto ao emprego da designação “Átrio dos Gentios”, iniciativa coordenada a nível do Vaticano pelo Conselho Pontifício da Cultura e que se realiza oficialmente pela primeira vez a Portugal em novembro, nas cidades de Guimarães e Braga.
«Surpreendentemente foi conhecido, através da comunicação social, que existiria, subjacente à celebração daquelas eucaristias, um projeto que vai muito para além daquilo que é da competência paroquial, que o “Público” diz ter sido iniciado a 15 de abril e com pormenores que a Diocese desconhecia», assinala o esclarecimento.
O texto assinado pelo padre António Estêvão Fernandes, da Secretaria Episcopal do Funchal, termina com a afirmação de que o título do artigo do “Público” «manifesta desconhecer a real situação de simpatia e boa relação do Bispo do Funchal, D. António Carrilho, com a comunidade diocesana e a população madeirense em geral, incluindo personalidades e agentes culturais das mais diversas posições religiosas e áreas do conhecimento».
O “Direito de Resposta” da diocese do Funchal pode ser consultado na secção "Artigos relacionados", no fim deste texto.
Rui Jorge Martins
© SNPC |
10.05.12
Sé do Funchal








