

O Secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal italiano D. Pietro Parolin, sublinhou este sábado, no Vaticano, que «do encontro entre Evangelho e cultura emergem cenários inesperados e um renovamento destinado a envolver a existência concreta das pessoas, da família e da sociedade».
«Com efeito, nada do que é bom e verdadeiro pode estar em conflito com o Evangelho, nada daquilo que é autenticamente humano pode opor-se a Cristo», vincou o prelado, citado na edição de hoje do jornal do Vaticano, "L'Osservatore Romano".
As palavras de D. Pietro Parolin foram proferidas na missa durante a qual o irlandês D. Paul Tighe, que o papa Francisco nomeou recentemente secretário-adjunto do Conselho Pontifício da Cultura, foi ordenado bispo.
O cardeal tornou presente ao novo bispo a necessidade de se comprometer «para facilitar um encontro fecundo entre a cultura e o Evangelho, para que se promova um diálogo aberto e sábio, para que aqueles que indagam a realidade com espírito racional, descubram a superior racionalidade da fé».
A fé, acentuou D. Pietro Parolin na basílica de S. Pedro, «não se opõe à consciência», mas «ilumina e amplifica a capacidade da própria razão, fornecendo-lhe uma luz e um objetivo mais alto e maior, que responde plenamente às expetativas profundas do ser humano».
«Ao evocar o percurso de D. Paul Tighe, o Secretário de Estado recordou que foi construído «entre a pastoral direta, o mundo académico, o interesse pela relação entre fé, política e cultura e pela presença da Igreja no âmbito das comunicações sociais, onde é preciso apresentar a sua missão e a sua verdadeira identidade em categorias compreensíveis e acessíveis, de modo a proporcionar um olhar profundo e autêntico sobre a realidade eclesial».
O bispo, realçou o cardeal, «com o seu comportamento exemplar e o seu ensinamento é chamado a ser um sinal da misericórdia divina» e «em primeiro lugar deverá amar Cristo, a Igreja, os pobres e os últimos com generosidade e constância, alimentando diariamente esse amor com o óleo da oração, a caridade e o abandono confiante em Deus».
Referindo-se ao seu moto episcopal, "Estote factores verbi" (sê dos que colocam a palavra em prática), D. Paul Tighe afirmou que a frase ajuda-o a lembrar que a «fé não é uma teoria, mas um chamamento a servir», refere a página "The Catholic Register".
Rui Jorge Martins