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"Em nome de Deus" abre Festival Literário de Belmonte

Imagem D.R.

"Em nome de Deus" abre Festival Literário de Belmonte

A segunda edição da "Diáspora", Festival Literário de Belmonte, começa hoje com a mesa-redonda intitulada "Em nome de Deus", com intervenções de Jaime Nogueira Pinto, Nuno Tiago Pinto e Pedro Mexia.

A conversa, moderada pelo pároco de Belmonte, padre Carlos Lourenço, que volta a marcar presença no projeto, centra-se nos conflitos, mitificações e segregação relacionados com a religião, explicam os organizadores da iniciativa.

«Em nome de Deus cometeram-se os maiores genocídios e criam-se as maiores mentiras. Se as principais religiões afirmam que Deus é Paz, porque é que permanecem vivas as tensões inter-religiosas? De Fátima ao Médio Oriente, como é que a política tomou conta da religião?»: estas são algumas das inquietações em análise na sessão, que começa às 21h30 na igreja matriz.

Em entrevista ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, o padre Carlos Lourenço explicou que, já em 2014, a "Booktailors", produtora executiva, «mostrou interesse que a primeira mesa-redonda fosse na igreja, devido ao tema, a importância do livro nas três religiões monoteístas».

O convite para moderar a conversa surpreendeu, então, o sacerdote de 51 anos, que este ano voltou a ser contactado com o mesmo propósito: «Aceitei, até porque é uma oportunidade para se falar de temas que, pelas circunstâncias que todos conhecem, são mais atuais do que nunca. E julgo que a igreja é o local indicado para falar sobre estas questões».

Do debate desta noite diz que «espera tudo, não só da parte dos intervenientes, pessoas que têm opinião formada sobre o tema, mas também das interpelações e dúvidas a colocar pelo público.

«Da minha parte, apresentarei uma introdução com algumas pistas, para que haja diálogo e todos saiam desta mesa-redonda mais enriquecidos, como crentes e cidadãos», assinalou.

Para o arcipreste de Manteigas-Belmonte, o contexto geográfico da região e o facto de o projeto estar a dar os primeiros passos constituem desafios que se podem vencer a médio prazo.

«O Festival é, ainda, algo de novo, e estamos numa zona interior onde as pessoas, creio, não estão muito disponíveis para participar. No ano passado houve um número bastante considerável de habitantes de Belmonte que estiveram, além de pessoas de fora. Este ano, tendo em conta o tema, julgo que a mesa-redonda vai ter uma grande participação», referiu.

«Estas iniciativas novas demoram tempo a ganhar espaço e a cimentar-se numa comunidade interior que é mista, com espaços urbanos e rurais, pelo que projetos como estes nem sempre são fáceis de entender à primeira; talvez seja necessário mais algum tempo de caminhada», acrescentou.
Para a paróquia, «o Festival também é positivo porque constitui uma forma de abrir a igreja a iniciativas que também têm o seu lugar e importância».

«Na diocese da Guarda e em todo o país há muitas iniciativas deste género, e creio que, normalmente, se forem assuntos que possam tratar-se dentro de uma igreja, as suas portas abrem-se ao mundo da cultura e da ciência», disse.

Referindo-se a relação da Igreja católica em Portugal com a cultura, o padre Carlos Lourenço considera que «ainda há algum caminho a fazer das duas partes».

«Para muitas pessoas ligadas à literatura, cinema, teatro, pintura e artes, a Igreja ainda é vista como algo secundário e que nada tem a ver com esses âmbitos. Isso sucede, possivelmente, porque durante muitos anos talvez a Igreja se tenha colocado à parte e entrado numa atitude de reivindicação de um espaço que não é só dela. Ciência, cultura e fé não são incompatíveis; pelo contrário, são realidades que se completam», frisou.

Até domingo, «o maior evento cultural do concelho e um dos mais relevantes da região», segundo o presidente da autarquia, que organiza o Festival, propõe quatro mesas de debate, mostras ilustrativas, duas conferências e sessões escolares.

No sábado, às 15h00, Andréa Zamorano e Inês Pedrosa estarão à conversa com Pedro Vieira sobre o que une e separa Portugal do Brasil no que à literatura diz respeito, em sessão marcada para o Museu Judaico.

O mesmo espaço recebe, uma hora depois, a entrevista a Mário Cláudio, conduzida por Tito Couto, e pelas 17h00 Maria Manuel Viana e Tiago Patrício discutem, com moderação de Pedro Vieira, a «livre circulação de ideias», a disponibilidade de «imaginários novos» e a maneira como a «ficção do interior» observa «uma Europa que volta a falar em barreiras».

No último dia João Paulo Cuenca e Tânia Ganho falam com Pedro Vieira, no Museu Judaico, sobre cidades literárias.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 20.11.2015

 

 

 
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«Na diocese da Guarda e em todo o país há muitas iniciativas deste género, e creio que, normalmente, se forem assuntos que possam tratar-se dentro de uma igreja, as suas portas abrem-se ao mundo da cultura e da ciência»
«Para muitas pessoas ligadas à literatura, cinema, teatro, pintura e artes, a Igreja ainda é vista como algo secundário e que nada tem a ver com esses âmbitos. Isso sucede, possivelmente, porque durante muitos anos talvez a Igreja se tenha colocado à parte e entrado numa atitude de reivindicação de um espaço que não é só dela. Ciência, cultura e fé não são incompatíveis; pelo contrário, são realidades que se completam»
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