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Entre o drama da guerra e a profecia da paz: Comentário às leituras do I Domingo do Advento

Com o tempo do Advento, regressam os oráculos do profeta Isaías: «das suas espadas, forjarão relhas de arado», «o lobo habitará com o cordeiro», «abrir-se-ão os olhos dos cegos».

A cultura do nosso tempo quer-se muito mais realista que as afirmações do profeta. O Natal dos nossos dias deixou de cantar a esperança. É um grande evento do pechisbeque, revestido de pieguice. As vitrinas são disso testemunha. Os clientes que vão às compras precisam de cores, de brilhos, do incomum.

Estará a Igreja ao lado do seu século? Ao mesmo tempo que nos embala em ilusões ao proclamar profecias de felicidade, pessoas sem-abrigo morrem de frio, a América Central conta os seus mortos, os africanos agridem-se entre si e na Ásia os cristãos são ameaçados de morte.

Se lermos com profundidade a mensagem que a Igreja nos dá a viver, rapidamente ficaríamos convencidos de que ela não está a sonhar ao fazer-nos ouvir Isaías. De facto, também há lugares e homens que forjam charruas com as espadas, onde o lobo vive em paz com o cordeiro, onde os olhos se abrem à luz. «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas». Subamos para Deus, na esperança de dias novos.

 

Jerusalém, "fundação da paz»

É o que significa este nome geográfico. Começámos a cantar o salmo 121 no último domingo para a solenidade de Cristo Rei, descendente de David, rei que ficou em Jerusalém a sua capital para dela fazer «a fundação da paz». O salmo 121 é um dos cantos dos peregrinos que subiram à montanha santa para dar graças.

Com efeito, na perspetiva bíblica, Jerusalém não é uma capital como as outras. Ela não foi feita para dominar, mas para unir o reino do Norte (Israel) e o reino do Sul (Judá). É nela que está o templo, «a casa do Senhor nosso Deus». Jerusalém é um destino de marcha para o peregrino, um símbolo de unidade entre os habitantes e os peregrinos, uma abertura para o Totalmente Outro a quem se dá graças.

Jesus Cristo está na lá na sua totalidade. Ele que é mais do que Jerusalém e do que o templo. Ele é aliança divina e unidade dos homens, eucaristia e alegria, paz e justiça misericordiosa.

Desde o início do novo ciclo litúrgico, que começa no primeiro domingo do Advento, primeiro dia do chamado Ano A, a Igreja afirma o que palpita no seu coração e que anima o seu caminho ao longo dos tempos: a paz para todos os seres humanos, para além dos seus limites atuais. E a Igreja, como Isaías, não quer dissolver a originalidade da Revelação num universalismo monótono.

 

Otimismo e esperança

O excerto do Evangelho não foi escrito para nos fazer medo, mas para nos iluminar. Deste género de textos diz-se que são "apocalípticos", ou seja, que "levantam uma ponta do véu", desvelam a realidade. E a realidade, a única que conta, e que constitui o núcleo desta passagem, é a vinda de Cristo.

Será absurdo esperar que as nações caminhem «à luz do Senhor», enquanto cresce o ateísmo prático e o fanatismo? Estaremos diante de um otimismo beato?

Em todo o caso, recusemos o pessimismo tranquilo, porque a dignidade do ser humano está em Deus. É o Advento que no-lo diz. Este é um período de retomada espiritual, uma esperança ardente em Cristo, dado que Deus recusa-se a desesperar da humanidade.

 

Leituras do I Domingo do Advento (Ano A)

Leitura I (Isaías 2 1-5)

Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e de Jerusalém: Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas. Ali afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra. Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor.


Salmo (Salmo 121 (122), 1-2.4-5.6-7.8-9)

Refrão:
Vamos com alegria
para a casa do Senhor.

Alegrei-me quando me disseram:
«Vamos para a casa do Senhor».
Detiveram-se os nossos passos
às tuas portas, Jerusalém.

Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor,
segundo o costume de Israel, 
para celebrar o nome do Senhor;
ali estão os tribunais da justiça,
os tribunais da casa de David.

Pedi a paz para Jerusalém:
«Vivam seguros quantos te amam.
Haja paz dentro dos teus muros,
tranquilidade em teus palácios».

Por amor de meus irmãos e amigos,
pedirei a paz para ti.
Por amor da casa do Senhor,
pedirei para ti todos os bens. Refrão


Leitura II (Romanos 13, 11-14)

Irmãos: Vós sabeis em que tempo estamos: Chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e ciúmes; não vos preocupeis com a natureza carnal para satisfazer os seus apetites, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.


Evangelho (Mateus 24, 37-44)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem.

 

P. Jacques Fournier | Com Marie-Noëlle Thabut
In Conferência dos Bispos de França
Textos bíblicos: Secretariado Nacional de Liturgia
© SNPC (trad.) | 29.11.13

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