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«Estará Cristo dividido?»: Pergunta de há dois mil anos continua a ecoar hoje entre cristãos

«Estará Cristo dividido?», interrogação que S. Paulo apontou na sua primeira carta aos Coríntios, e que constitui o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que começa este sábado, continua a ecoar hoje entre os cristãos, atravessando séculos de discórdias.

«Hoje é dirigida a nós a mesma pergunta», afirmou esta sexta-feira o papa Francisco, ao receber no Vaticano uma delegação ecuménica da Igreja Luterana da Finlândia, por ocasião da peregrinação anual a Roma para a celebração da festa de Santo Henrique, patrono do país.

Francisco acentuou que o ecumenismo, conjunto de iniciativas e actividades tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos, deve continuar a ser uma prioridade, ainda que nem todas as pessoas estejam de acordo.

«Diante de algumas vozes que já não reconhecem como objectivo que pode ser perseguido a plena e visível unidade da Igreja, somos convidados a não desistir do nosso esforço ecuménico, fiéis a quanto o próprio Senhor Jesus pediu ao Pai: que “todos sejamos um só”», apontou.

No «contexto de sociedade e cultura onde é cada vez menos presente a referência a Deus e a tudo o que evoca a dimensão transcendente da vida», especialmente «na Europa, mas não só», é ainda mais importante que o «testemunho» se concentre no «centro» da fé cristã, ou seja, «o anúncio do amor de Deus» manifestado em Cristo.

«Encontramos aqui espaço para crescer na comunhão e na unidade entre nós, promovendo o ecumenismo espiritual, que nasce directamente do mandamento do amor deixado por Jesus aos seus discípulos», referiu.

Francisco lembrou o decreto “Unitatis redintegratio”, promulgado durante o concílio Vaticano II:  «Esta conversão do coração e esta santidade de vida, juntamente com as orações particulares e públicas pela unidade dos cristãos, devem ser tidas como a alma de todo o movimento ecuménico, e com razão podem ser chamadas ecumenismo espiritual».

«Invoquemos portanto sem cessar a ajuda da graça de Deus e a iluminação do Espírito Santo, que nos introduz na verdade integral, portadora de reconciliação e de comunhão», apelou o papa, antes de invocar «a bênção de Deus» sobre «todos os cristãos da Finlândia» e sobre o país.

O papa Francisco recebeu esta sexta-feira o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o cardeal Kurt Koch.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 17.01.14

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