

D.R.
Os membros da secção europeia da SIGNIS, Associação Católica Mundial para a Comunicação, de que faz parte o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, elegeram "Eu, Daniel Blake" como o melhor filme europeu de 2016.
«Apoiado pelas grandes qualidades artísticas do realizador», o inglês Ken Loach, o filme «retrata um homem no fim da sua vida que coloca de lado o seu próprio sofrimento para estar ao serviço de uma família desafiada pela marginalização e pobreza», refere a associação.
O protagonista, «como um bom samaritano», oferece às pessoas carenciadas «a atenção e o afeto que são tão necessários para os seres humanos como as necessidades materiais», sublinha a nota.
«A história é simples, linear, sem outro imprevisto a não ser os sobressaltos de um homem corajoso que, a cada novo golpe, se ergue, um pouco mais enfraquecido mas sempre determinado», escreveu a SIGNIS em outubro de 2016 na crítica à obra.
A engrenagem «rígida e estúpida do sistema social confrontado com a realidade de um ser em sofrimento poderá fazer rir e, de facto, a cena de abertura é quase cómica. Mas o sorriso dá lugar à cólera e à compaixão quando o espetador compreende que os dados estão viciados».
O cineasta não deixa, todavia, de dar atenção às pessoas capazes de compaixão, como o empregado que dá mais tempo do que deveria a Daniel Blake, ou «a delicadeza dos voluntários do banco alimentar».
«Sim, existem ainda neste mundo louco pessoas que têm um coração de carne. O inimigo é o anonimato e a complexidade da vida moderna, que geram a indiferença e a desumanização mortífera», assinala o texto de Michèle Debidour.
Ken Locah assina um «filme humanista», «comprometido, como sempre, ao lado dos mais vulneráveis, de quem honra a coragem, sem se comprazer num miserabilismo de ir às lágrimas».
"Eu, Daniel Blake", que se estreou em Portugal a 1 de dezembro, venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes de 2016, além de ter obtido uma menção honrosa do júri ecuménico.
"Tony Erdmann", de Maren Ade (Alemnaha/Áustria) e "Fuocoammare", de Gianfranco Rosi (Itália/França) ocuparam o segundo e terceiro lugar da votação em duas rondas dos membros da SIGNIS espalhados por 23 países europeus.
A distinção para melhor filme europeu do ano é atribuída desde 2008 para «promover e criar interesse pelos filmes europeus que se destacam pela sua qualidade cinematográfica, bem como pelo tema.