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Teologia contemporânea

Karl Rahner: «Vou para a cama cedo e sou um pobre pecador»

Um aluno, ao falar deste eminente teólogo do século XX, disse: «um professor ao qual me podia confessar». Foi não só um grande teólogo como um notável pregador. Esteve diante e falou para vastas audiências universitárias pelo mundo fora, superiores de ordens religiosas, jornalistas, associações de esposas e mães, congressos pastorais, sociedades de filosofia, sociólogos, e dedicou muito do seu tempo em obras de caridade para com os mais fracos e pobres.

Karl Rahner nascido na Alemanha, em Freiburg, em 5 de março de 1904, era o quarto de sete filhos. O pai de Rahner era professor de liceu e sua mãe, que viveu até à bonita idade de 101 anos, foi ama para ganhar algum dinheiro extra. Nascido e criado numa família cristã católica, o jovem Karl frequentou a escola primária e secundária em Freiburg. Sendo um jovem como os outros da sua idade, não obstante era piedoso, lia com frequência o 4.º livro da “Imitação de Cristo” e era assíduo à Comunhão. Em 1922 Karl junta-se ao seu irmão, Hugo Rahner, e entra para os Jesuítas, pois nunca havia pensado noutra vocação senão a de ser tornar um discípulo de Jesus segundo a espiritualidade de Santo Inácio de Loyola.

Entre 1924-25 faz os seus estudos de filosofia, primeiro em Feldkirch e depois em Pullach, perto de Munique. Lê com entusiasmo Maréchal e São Tomás de Aquino, que o marcam para sempre. Em 1929 inicia os estudos de Teologia na Holanda. Depois de os concluir, é ordenado sacerdote em 26 de julho de 1932, na catedral de Munique, pelo cardeal Faulhaber. Volta a Freiburg onde se matricula na Faculdade de Teologia, mas o seu interesse está em assistir às aulas e seminários do filósofo Martin Heidegger que influenciará a sua teologia. Após terminar os estudos em filosofia e teologia começa em 1936 a ensinar teologia sistemática em Innsbruck onde apresentará a sua tese doutoral.

No Natal de 1961 o Papa João XXII convoca o II Concílio Ecuménico do Vaticano. Karl Rahner toma parte na assembleia, primeiro como teólogo pessoal do arcebispo de Viena, cardeal König, em 1961. Mas em 1962 já toma parte como “peritus” e como membro da Comissão Teológica Internacional. Escreveu vários ensaios antes e depois das sessões conciliares, contribuindo teologicamente para as Constituições “Lumen Gentium”, “Dei Verbum”, “Gaudium et Spes”. Não é por acaso que foi apelidado de «teólogo do Concílio». Em 1964 sucede a Romano Guardini na Faculdade de Filosofia de Munique e já em 1976 escreve a sua obra de síntese: “Curso fundamental sobre a fé”.

No dia 30 de março de 1984 morre em Innsbruck aquele que é considerado um dos maiores teólogos do século XX. De si Karl Rahner disse: «Não sou particularmente aplicado, vou para a cama cedo e sou um pobre pecador. Tudo o que desejo ser, mesmo no trabalho como teólogo, é um ser humano, um cristão, e tanto quanto puder, um padre da Igreja».

 

L. Oliveira Marques
© SNPC | 18.02.11

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Karl Rahner

























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